Prepare-se Agora para a Dor
De Livros e Sermões BÃblicos
Por Bryan DeWire Sobre Sofrimento
Tradução por Anna França
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O sofrimento tem uma maneira de nos levar a aprofundarmos nosso relacionamento com Deus.
Infelizmente, não é o caso para todos, mas muitos já testemunharam que foi em um período de sofrimento profundo que passaram a abraçar a soberania e bondade de Deus.
Às vezes, são verdades sobre Deus que se tornam novas para nós justamente nos momentos mais difíceis da vida. Com frequência, o sofrimento acaba sendo o terreno onde são provadas as verdades que assimilamos nos dias mais fáceis da vida. Essa foi a minha experiência.
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Lutando com Verdades Difíceis
Me custou vários anos de “vida normal” para crer que tais verdades — como a soberania de Deus, a predestinação e a eleição — deveriam, de fato, ser consideradas “verdades”. Eu não tinha certeza se eram bíblicas. Eu me perguntava, se Deus deseja que todos sejam salvos (2 Pedro 3:9), então como pode Ele ter controle sobre quem é salvo e quem não é? E se Deus pode mudar de ideia (Êxodo 32:14; Jeremias 26:19), como pode Ele estar verdadeiramente no controle de todas as coisas?
Essas são perguntas duras de lidar. Mas, com o tempo, com a ajuda dos escritos de homens como James Montgomery Boice, R.C. Sproul e John Piper, eu passei a acolher com alegria, como plenamente fiéis às Escrituras, as doutrinas da graça e a soberania absoluta e exaustiva de Deus. Esses e outros homens estavam dispostos a fazer as perguntas difíceis que eu fazia a mim mesmo e forneceram respostas bíblicas convincentes.
À medida que comecei a abraçar tais verdades, Deus se tornou mais grandioso e poderoso aos meus olhos. Nós cristãos adoramos um Deus
- que tem um propósito em toda a criação, ou “que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade” (Efésios 1:11);
- que decide o resultado até nas coisas mais pequenas, como o lançar de um dado: “A sorte é lançada no colo, mas a decisão vem do Senhor” (Provérbios 16:33);
- que não só conhece, mas torna conhecido, o futuro: “Eu sou Deus, e não há nenhum outro; eu sou Deus, e não há nenhum como eu. Desde o início faço conhecido o fim, desde tempos remotos, o que ainda virá. Digo: Meu propósito ficará de pé, e farei tudo o que me agrada” (Isaías 46:9-10);
- que “está nos céus, e pode fazer tudo o que lhe agrada” (Salmos 115:3), de modo que “O Senhor faz tudo o que lhe agrada, nos céus e na terra, nos mares e em todas as suas profundezas” (Salmos 135:6).
E, à medida que eu descobria mais sobre o poder e a glória de Deus, e percebia que era inevitável que, mais cedo ou mais tarde, eu viesse a sofrer algum tipo de aflição neste mundo caído (1 Tessalonicenses 3:3–4; Atos 14:22), compreendi que precisava me preparar para o sofrimento — para que a grandeza de Deus não fosse apenas uma doutrina crida pela mente, mas uma verdade capaz de me sustentar em meio às dores da vida.
Preparando-se para as Dificuldades
Com tamanha preparação em mente, decidi, em 2006, ler o livro Sofrimento e a Soberania de Deus. Nele, li verdades transformadoras como essas:
- “A Bíblia é clara ao afirmar que nada surge, existe ou subsiste fora da vontade de Deus” (página 41);
- “Deus não apenas leva todos os objetos e eventos do universo ao seu fim determinado, mas de fato faz todas as coisas acontecerem segundo a sua vontade. Em outras palavras, não é apenas que Deus consegue transformar os aspectos maus do nosso mundo em bem para aqueles que o amam; é, antes, que ele mesmo produz esses aspectos maus para a sua glória (cf. Êxodo 9:13–16; João 9:3) e para o bem do seu povo (cf. Hebreus 12:3–11; Tiago 1:2–4)” (42);
- “Desde eventos tão pequenos quanto a queda do menor dos pardais (cf. Mateus 10:29) até a morte de seu próprio Filho amado, nas mãos de homens ímpios (cf. Atos 2:23 e 4:28), Deus fala e faz com que sua palavra se cumpra; ele estabelece o propósito e, em seguida, realiza o que planejou (cf. Isaías 46:11). Nada do que existe ou acontece está fora da vontade soberana de Deus” (43);
- “Portanto, não é inadequado afirmar que Deus é o criador, o enviador, o permissor e, por vezes, até o instigador do mal” (44);
- “As Escrituras rejeitam a ideia de que Deus pratica o mal, ao mesmo tempo em que implicam, em todos os lugares, que Ele ordena qualquer mal que exista. Dizer que Deus ‘ordena’ algo significa que Ele o planejou, estabeleceu um propósito e quis que acontecesse desde antes da criação do mundo — isto é, desde antes do início dos tempos” (47).
Os autores citaram versículo após versículo da Bíblia. Eu não poderia escapar da soberania total de Deus — e nem queria!
Quando a Tragédia Chega
No ano seguinte, em dezembro de 2007, a tragédia me atingiu quando meu pai faleceu repentinamente, aos 44 anos. Até hoje, a lembrança mais terrível que tenho é da minha mãe me ligando às duas da manhã, chorando: “Ele não vai aguentar, Bryan! Ele não vai aguentar!” Pouco depois, meu tio me ligou para me dar a notícia de sua morte.
E então, o que dizer da soberania de Deus? Foi tentador ficar amargurado e com raiva de Deus? Talvez, mas apenas ligeiramente. Não, o maior conforto para mim desde a morte do meu pai tem sido que Deus faz todas as coisas — incluindo aquela morte — segundo o conselho da sua vontade, e que ele faz tudo que lhe agrada, e que sabe de todas as coisas, incluindo aquela morte, antes que acontecesse.
Soberano e Bom
Contudo, o livro também me ensinou da bondade de Deus, não apenas de sua soberania. Imagine comigo o céu, nas palavras de Joni Eareckson Tada:
Penso que, a princípio, o choque da alegria que virá ao nos deleitarmos na cascata de amor e prazer que é a Trindade pode arder com uma novidade brilhante de sermos glorificados, mas, no instante seguinte, estaremos em paz. Estaremos encharcados de plena alegria. Nos sentiremos em casa, como se tivesse sido sempre assim, como se tivéssemos nascido para tal lugar — porque, de fato, nascemos! (202-203)
Portanto, eu recomendo a você, se esses são seus tempos fáceis antes de alguma provação futura, prepare-se agora para a dor. Este livro — disponível gratuitamente em PDF (em inglês) — é um jeito de começar. Aprenda agora que seu sofrimento não é páreo para a glória que um dia será sua (Romanos 8:18), e que o sofrimento, de fato, produz ou trabalha ou prepara o peso da glória que viverá na presença de Deus (2 Coríntios 4:17).
Comece a se preparar desde já, nos “dias normais”, sabendo que algum tipo de sofrimento está por vir e que Deus já providenciou recursos para que se prepare.
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