O temor perdido pela Majestade

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English: The Lost Awe of Majesty

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Por David Mathis Sobre Santificação e Crescimento

Tradução por Juan Flavio De Sousa De Freitas

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Tabela de conteúdo

Por que eu adoro uma característica subestimada

Em 1977, o pastor californiano Jack Hayford e sua esposa visitaram a Inglaterra durante o Jubileu de Prata (25º aniversário) da ascensão da Rainha Elizabeth ao trono (1952). Eles ficaram impressionados com a grandiosidade da celebração e com a alegria manifesta do povo em relação à sua monarca. Enquanto estavam lá, visitaram o Palácio de Blenheim, local de nascimento de Winston Churchill e famoso pela magnitude e imponência que alguns americanos hoje conhecem apenas por assistir à série “Downton Abbey”.

Ao se afastar de carro do palácio, tomado por um sentimento de admiração, Hayford percebeu que procurava palavras; uma linguagem que transpusesse o peso da experiência terrena para a dimensão celestial. Enquanto refletia, a palavra que parecia mais adequada, tanto para descrever a deslumbrante magnificência do palácio quanto para indicar a superioridade do Cristo reinante, era “majestade”. De acordo com o relato de um jornal da Califórnia sobre a história,

Enquanto os Hayfords se afastavam daquele palácio real e partiam de carro, o Dr. Hayford pediu à esposa que pegasse um caderno e anotasse alguns pensamentos que lhe vinham à mente. Ele então começou a ditar a letra, a tonalidade e o ritmo de uma canção que hoje é cantada por cristãos em todo o mundo. (“A história por trás da canção: ‘Majesty’”, St. Augustine Record, 13 de agosto de 2015)

O impulso de Hayford de recorrer à palavra “majestade”, por mais que ele a conhecesse naquele momento, foi profundamente bíblico. “Majestade” é, de fato, um atributo frequente e cuidadosamente escolhido nas Escrituras para designar o Deus vivo; uma característica frequentemente negligenciada nos estudos sobre os atributos divinos, mas um importante testemunho tanto dos profetas quanto dos apóstolos, que lança uma luz brilhante sobre outros atributos bem conhecidos e que é verdadeira, profunda e maravilhosamente adequada para a adoração, como Hayford intuiu:

Majestade! Adore Sua majestade!
A Jesus, toda glória, poder e louvor.
Majestade! Autoridade do Reino,
Flui de seu trono, para os Seus;
Levante Seu hino!

A Majestade das Montanhas Roxas

Aqueles que, como Hayford, recorrem à palavra “majestade”, frequentemente se veem diante de — ou relembrando — alguma maravilha natural ou criada pelo homem que é ao mesmo tempo imponente e atraente. Em nossa língua, assim como nos termos bíblicos, a palavra captura não apenas grandeza, mas também bondade; tanto a grandiosidade quanto a beleza; poder impressionante aliado à admiração agradável.

As montanhas talvez sejam a característica natural por excelência da majestade. O Salmo 76:4 declara em louvor a Deus: “Glorioso eres tu”, e em seguida acrescenta: “es mais majestoso do que os montes cheios de despojos”. Ao lado da ilustre planície de Sarom, que possuía sua própria glória peculiar, a profecia cheia de esperança de Isaías sobre o futuro florescimento do povo de Deus exalta “a majestade do [Monte] Carmelo” (Isaías 35:2). No entanto, além das montanhas, também podemos atribuir majestade ao ouro, ou a algum material precioso ou gema, digno de um rei, que deslumbra os olhos com sua beleza, assim como Jó 37:22 associa a “majestade imponente” de Deus ao “esplendor dourado”.

Não apenas os fenômenos naturais, mas também a obra das mãos humanas, quando em grande escala, podem nos levar a buscar o que é majestoso. Lamentações 1:6 lamenta a perda dessa majestade cívica após a destruição de Jerusalém pela Babilônia e, pouco tempo depois, Nabucodonosor, rei da Babilônia, afirma ter construído sua cidade “pelo [seu] grande poder, como residência real e para a glória da [sua] majestade” (Daniel 4:30); isso, pouco antes de sua grande humilhação.

Como, então, o uso comum do termo “majestade” para montanhas e mansões, ouro e cidades se relaciona com a atribuição de majestade a Deus?

O que é a majestade divina?

Ao reunir grandeza e bondade, força e beleza (Salmo 96:6), “majestade” não é apenas um termo adequado para as grandiosidades das montanhas, mas uma descrição particularmente apropriada de Deus, que é, acima de tudo, “o Majestoso” (Isaías 10:34).

Em um momento crítico da história do povo da primeira aliança de Deus, enquanto se reuniam sob a liderança de Salomão para dedicar o templo, o rei orou, em sua grande sabedoria: “Tua é, ó Senhor, a grandeza, o poder, a glória, a vitória e a majestade”. Considere esses três primeiros — grandeza, poder e glória —, frequentemente associados à majestade em outros contextos, como ângulos reveladores do atributo da majestade divina.

A grandeza é Dele

Em primeiro lugar, está a grandeza.

O versículo inicial do Salmo 104 declara: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Ó Senhor, meu Deus, tu és grandíssimo! Tu estás revestido de esplendor e majestade.” Da mesma forma, após seu dramático êxodo do Egito, operado por Deus, o povo de Deus canta: “Na grandeza da tua majestade, tu derrubas os teus adversários” (Êxodo 15:7). Mais tarde, na Babilônia, quando Nabucodonosor relata sua grande humilhação e restauração, ele fala de sua “majestade” retornando a ele “e ainda mais grandeza me foi acrescentada” (Daniel 4:36; veja também 5:18). A famosa profecia de Miquéias sobre Belém fala de uma majestade que é grandeza naquele que virá e que “pastoreará seu rebanho com a força do Senhor, na majestade do nome do Senhor, seu Deus. E habitarão em segurança, pois agora ele será grande até os confins da terra” (Miquéias 5:4).

A majestade frequentemente conota alguma grandeza em tamanho, como no caso das montanhas e mansões: Ezequiel fala de “nações majestosas”, outrora numerosas e poderosas, mas agora humilhadas por Deus (Ezequiel 32:18). Mas essa grandeza também pode incluir o direito e a prerrogativa divinos de Deus, como Deus, de governar e fazer o que Lhe apraz. Como Salomão orou: “Tua é, ó Senhor, a grandeza, o poder, a glória, a vitória e a majestade, pois tudo o que há nos céus e na terra é teu” (1 Crônicas 29:11). Deus não tem apenas o poder para governar, mas também o direito.

O poder é dele A majestade também está ligada ao poder e à força de Deus. “Tua é, ó Senhor, [...] o poder.”

Não apenas Miquéias 5:4 conecta a majestade de Deus com a força divina ao pastorear seu povo, mas o Salmo 68:34 fortalece ainda mais esse vínculo:

Atribuam poder a Deus,
cuja majestade está sobre Israel,
e cujo poder está nos céus.

“Impressionante”, diz Davi, “é Deus em seu santuário”. Ele é majestoso não apenas no poder que possui, mas também no poder que generosamente concede: “É ele quem dá poder e força ao seu povo” (Salmo 68:35). Assim também no Salmo 29:4, ouvimos:

A voz do Senhor é poderosa;
a voz do Senhor é cheia de majestade.

Embora sua voz poderosa e majestosa se refira ao audível, o apóstolo Pedro testifica que ela se tornou visível no Filho encarnado de Deus: “Não seguimos mitos inventados com astúcia quando lhes anunciamos o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, mas fomos testemunhas oculares de sua majestade” (2 Pedro 1:16).

A Ele pertence a glória

Em terceiro lugar, como orou Salomão: “Tua é, ó Senhor, [...] a glória”.

Entre grandeza, poder e glória, os laços mais profundos estão com a terceira. O Salmo 8, a celebração por excelência das Escrituras da majestade de Deus, canta manifestamente a glória — a glória de Deus, elevada acima dos céus (versículo 1), e a glória do homem, proveniente de Deus, como alguém a quem Ele “coroou... com glória e honra” (versículo 5). E assim, aquela memorável frase inicial, repetida como nota final, exalta a majestade do nome de Deus:

Ó Senhor, nosso Senhor,
quão majestoso é o teu nome em toda a terra! (Salmo 8:1, 9)

Como vimos no Salmo 76:4 (“Glorioso és tu, mais majestoso...”), a majestade divina está tão intimamente ligada à glória divina que podemos até considerar a palavra majestade como uma forma adicional de o povo de Deus expressar, louvar e se maravilhar com a glória e a beleza de Deus. Juntamente com esplendor (frequentemente associado à majestade), o termo amplia nosso vocabulário para a glória.

Nosso Deus é tão grande, tão admirável, tão maravilhoso, tão impressionante aos olhos de seu povo e tão temível para seus inimigos, que o hebraico kavod, o grego doxa e a palavra inglesa “glory” não são suficientes. Ou seja, não para seus adoradores. Precisamos de mais termos. Colocamos mais palavras em uso. À medida que buscamos continuar falando dele em sua beleza, seu poder, sua grandeza, sua glória, procuramos a linguagem certa: domínio, autoridade, esplendor, majestade. Às vezes, chegamos até a acumular palavras sobre palavras, como faz o Salmo 145:5 com “o esplendor glorioso da tua majestade”.

“Majestade”, em particular, é emotiva, ou afetiva. Ela indica grandeza na visão ou no som que também é maravilhosa. Grandeza que é bela. Tamanho imponente que é contemplado com deleite, poder imponente recebido como atraente. Embora tenha uma sobreposição significativa com o domínio ou a soberania divinos, a majestade vai além. Domínio e soberania são termos mais técnicos e prosaicos; majestade soa mais poética, com o temor reverente da adoração.

Medite sobre Sua Majestade

No fim das contas, talvez seja o tom poético da majestade que a torna uma palavra tão preciosa e adequada para a adoração. Enquanto Jack Hayford buscava palavras para expressar a maravilha que brotava em sua alma, muito além do legado da tradição inglesa e da grandiosidade de seus palácios — ou seja, a reverência pelo Deus vivo —, a majestade não surgiu como um termo técnico, funcional ou denotativo. Ela tinha uma essência. Ela comunicava um temor reverente que expandia a alma. Era uma expressão de adoração.

A escolha da palavra “majestade”, então, diz algo sobre quem a pronuncia. “Majestade” não apenas atribui grandeza, poder e glória a algum objeto, mas sinaliza temor reverente e admiração naquele que escolhe a palavra. Os amigos de Deus, e não seus inimigos, proclamam sua majestade. Aos olhos dos egípcios, Deus não era majestoso no Mar Vermelho, mas aterrorizante. Seu tamanho e força impressionantes não eram a favor deles, mas contra eles. Mas aos olhos de Israel, na visão de seu povo, seu Deus era de fato majestoso em sua grandeza e poder, e digno de louvor por aterrorizar e aniquilar seus inimigos (Êxodo 15:7, 11).

Talvez você sinta necessidade de uma linguagem renovada para atribuir grandeza, poder e glória ao Deus a quem você adora em Cristo. Ele não é apenas grande, mas bom — bom em sua grandeza e grande em sua bondade. Ele não é apenas grande, forte, imponente, indomável, onipotente; ele é belo, atraente, deslumbrante, cativante, glorioso. Ele é o Majestoso, que libertou Israel no mar e sua igreja na cruz. E assim, dizemos com o salmista: “Meditarei no esplendor glorioso da tua majestade e nas tuas obras maravilhosas” (Salmo 145:5).

E adoramos a sua majestade.