O Pastor em Apuros

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English: The Embattled Pastor

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Por Steven Lee Sobre Santificação e Crescimento

Tradução por Anna Rodrigues

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Tabela de conteúdo

Como lidar com conflitos e críticas

“Sua igreja carece de comunidade.” “Você falhou miseravelmente em cuidar de mim durante o caso extraconjugal do meu marido.” “Vocês não são uma igreja acolhedora.” “Muita burocracia na igreja.” “A igreja é grande demais.” “Suas orações decoradas parecem ridículas.”

Ai, pensei ao ler essas palavras. Esses comentários foram dirigidos à  nossa igreja, nosso povo, e nossa liderança. Cada crítica doía como um punhado de cascalho atingindo meu rosto. Como qualquer pessoa em posição de liderança sabe, as críticas são dolorosas. Embora tenhamos solicitado essa opinião dos membros que estão saindo, as críticas nunca são agradáveis ​​quando chegam.

Por mais mordaz que essa desaprovação possa ser, ainda é melhor do que hostilidades abertas e discussões. Desentendimentos, mal-entendidos, frustrações e desunião podem corroer as estruturas da igreja de Cristo. O conflito leva a mágoas, julgamentos precipitados e ânimos exaltados. Os membros da igreja podem tomar partido. Fofocas e sussurros se espalham como fogo em palha seca, e logo a floresta está em chamas. Se a crítica é como um tornozelo torcido, o conflito é a fratura.

O conflito vem de muito tempo atrás

Conflitos e críticas na igreja são inevitáveis ​​em certos momentos. A vida é complicada, cheia de altos e baixos. A igreja é uma reunião de pecadores que, infelizmente, continuam pecando. Mal-entendidos acontecem. Palavras afiadas ferem e atacam, impossíveis de serem rebatidas. A crítica pode levar ao conflito e o conflito à crítica, num ciclo vicioso de mágoa e dor. Os últimos anos trouxeram consigo um aumento de atritos em muitas igrejas, mas o conflito não é novidade. A desunião que divide as igrejas existe desde o princípio.

Em Filipenses, Paulo suplica a duas amadas colaboradoras do evangelho — Evódia e Síntique — que “concordem no Senhor” (Filipenses 4:2). Essas duas mulheres trabalharam lado a lado com Paulo, e seus nomes estão escritos no livro da vida (Filipenses 4:3). São verdadeiras seguidoras de Cristo que estavam “juntas pelo evangelho”, mas agora estão divididas por uma grave divergência que se tornou conhecida por toda a igreja. Os conflitos dentro da Igreja são tão antigos quanto a própria Igreja.

Lidar com conflitos não é uma tarefa fácil. É como desentupir o vaso sanitário: desorganizado, desagradável, mas necessário. Ignorar o conflito só o agrava, como fechar a porta do porão enquanto o mofo preto sobe pelas paredes. Ele não vai desaparecer sozinho e as consequências serão catastróficas.

Três maneiras de liderar em situações de conflito

Como, então, podem os pastores e presbíteros avançar para o combate em vez de recuar? Assim como os corajosos socorristas que correm em direção ao caos, como os pastores podem estar preparados para lidar com conflitos com coragem, convicção, humildade e gentileza?

Não é uma tarefa fácil. Algumas pessoas podem ficar paralisadas pelo medo do homem e pelo medo do fracasso. Outras ainda estão demasiado ansiosas para entrar em combate. Assim como boxeadores ansiosos por encontrar parceiros de treino, esses pastores são inadequados para o combate. Considere as sábias palavras de Paulo ao jovem Timóteo:

Ao servo do Senhor não convém ser briguento, mas sim amável para com todos, apto para ensinar, paciente, corrigindo com mansidão os que se opõem a ele. Talvez Deus lhes conceda o arrependimento que leva ao conhecimento da verdade, e eles caiam em si e escapem da armadilha do diabo, da qual foram aprisionados para fazer a sua vontade. (2 Timóteo 2:24-26)

Percebemos a dificuldade da tarefa. Os pastores não podem fugir do conflito nem podem estar muito ansiosos para lutar. Bondade, paciência e gentileza devem acompanhar a disposição de dialogar, exortar, admoestar e repreender. Como se passa uma linha na agulha? Que verdades ajudam pastores e líderes cristãos a se envolverem em conflitos de forma voluntária sem ansiar pela próxima contenda? Considere três crenças fundamentais para aqueles que buscam servir em situações de conflito.

1. Lembre-se humildemente que esta é a igreja de Deus.

Primeiramente, lembre-se de que a igreja não é sua. Moisés exemplifica essa atitude humilde. Após o êxodo, a ira de Deus se inflama contra a adoração idólatra de Israel ao bezerro de ouro. O que Moisés faz? Ele intercede, lembrando a Deus “que esta nação é o seu povo” (Êxodo 33:13). Moisés deixa claro que Israel não é o seu povo, mas sim o povo de Deus. Ele demonstra uma dependência humilde de Deus para trabalhar entre o seu povo em prol do bem deles.

O paralelo para os pastores é este: lembrem-se humildemente de que a igreja é a igreja de Cristo. Quando surgem conflitos, os líderes espirituais devem ser sábios ao resistir à tentação de resolver as coisas com sua própria força e sabedoria. Jesus está santificando a sua igreja. Ele está ansioso para oferecer sua ajuda, sua sabedoria e sua graça para o bem de  sua igreja. Os pastores também devem lembrar que eles, e suas igrejas, estão sendo santificados. Ainda há lições a serem aprendidas; ainda há graça a ser concedida; ainda há mais sabedoria a ser outorgada. Deus age em meio aos conflitos para o bem do seu povo. Lembre-se, Jesus é o mestre carpinteiro, moldando sua obra suprema, a gloriosa igreja de Deus.

Pastores, orem como o Rei Salomão ao enfrentar a difícil tarefa de liderar o povo de Deus:

Agora, ó Senhor meu Deus, tu fizeste o teu servo rei em lugar de Davi, meu pai, embora eu seja apenas uma criança. Não sei como sair nem como entrar... Dá, pois, ao teu servo entendimento para governar o teu povo, para que eu possa discernir entre o bem e o mal, pois quem é capaz de governar este teu grande povo? (1 Reis 3:7, 9)

Ore humildemente por discernimento para guiar o grande povo de Deus. Peça sabedoria ao Deus que dá generosamente e abundantemente para o benefício da sua igreja (Tiago 1:5).

====2. Lembre-se humildemente do exemplo de Cristo.

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Em segundo lugar, siga o exemplo de altruísmo e sacrifício de Cristo. Os pastores são subpastores que recebem instruções do próprio Pastor principal. E Jesus “esvaziou-se a si mesmo, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens... Humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz” (Filipenses 2:7-8). Todos os crentes, e especialmente os líderes, são chamados a seguir sua humildade, seu espírito de serviço e seu sacrifício.

A ambição egoísta, a presunção, a inveja e a rivalidade não têm lugar na igreja, muito menos entre os líderes da igreja. Algumas das mais fortes condenações nas Escrituras são dirigidas aos pastores egoístas de Ezequiel 34. O povo de Deus foi dispersado, devorado e atacado pelos pastores de Israel. Nada prejudica a liderança mais rapidamente do que o egoísmo e a falta de humildade. Os servos de Deus devem, de fato, ser servos, obedecendo humildemente ao seu mestre. Os pastores devem “participar dos sofrimentos como bons soldados de Jesus Cristo” (2 Timóteo 2:3). Nós, pastores, servimos por vontade do Rei. Estamos sob autoridade. Quando munidos da mente de Cristo, os pastores são capazes de manter a unidade do Espírito, superar uns aos outros em honra e “repreender, corrigir e exortar com toda a paciência e doutrina” (2 Timóteo 4:2).

Como pastores, deixamos de lado preferências e opiniões pessoais e buscamos servir como Cristo nos quer, demonstrando seu altruísmo e paciência. Abraçamos com entusiasmo e humildade o papel de servos como subpastores de Cristo.

3. Fale, humildemente, a verdade com amor.

Por fim, fale a verdade com amor. Pastores piedosos demonstram um compromisso inabalável com a verdade, aprimorado e moldado por um amor profundo e constante pelo povo de Deus. Eles cultivam um amor semelhante ao de Paulo, ansiando por seu povo com o afeto de Jesus Cristo (Filipenses 1:8). Suas palavras edificam em vez de destruir; sua fala é amorosa. O que eles dizem, mesmo quando são admoestações, é permeado de gentileza e cuidado. Seus ensinamentos têm a essência do amor aliado à verdade inabalável.

É aqui que muitos pastores se desviaram do caminho. A tentação de apaziguar, aplacar e sufocar conflitos e tensões é grande. No entanto, as palavras dos subpastores devem ser “agradáveis, temperadas com sal”, nunca mentiras ou meias-verdades disfarçadas de agradabilidade (Colossenses 4:6). Os pastores devem “dar aos fiéis um exemplo na palavra” (1 Timóteo 4:12). Com Paulo, os pastores renunciam a todas as práticas vergonhosas e desonestas do mundo (2 Coríntios 4:2).

Um discurso sincero esclarece, em vez de obscurecer. Assim, os pastores, obstinadamente, deixam que o seu sim seja sim e o seu não seja não (Tiago 5:12). Buscamos ser tenazmente fiéis às nossas palavras. Nos esforçamos para não minar a confiança que Deus nos confiou de sermos arautos da grande verdade do evangelho. Resistimos a qualquer tentação de apaziguar as críticas modificando a verdade. Em vez disso, recusamos adulterar a verdade, mas proclamamos a verdade em amor para que a igreja cresça em Cristo (Efésios 4:15).

Tenha esperança em Deus que está agindo

Em meio às águas turbulentas, lembre-se da promessa de Deus aos seus servos e ao seu povo. Deus promete aos subpastores uma recompensa gloriosa: “Quando o Supremo Pastor se manifestar, vocês receberão a coroa da glória que jamais se desvanece” (1 Pedro 5:4). Conflitos e críticas nunca serão fáceis, mas as dores e os trabalhos serão pequenos em comparação com o valor incomparável de conhecer a Cristo.

Da mesma forma, Deus promete ao seu povo que completará a boa obra que começou (Filipenses 1:6). A igreja está sendo santificada para que seja pura e irrepreensível para o dia de Cristo. Apegue-se a essa promessa como uma balsa de esperança enquanto você mergulha nas águas turbulentas pelo bem da igreja de Cristo.