Evangelismo para Introvertidos

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English: Evangelism for Introverts

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Por Greg Morse Sobre Evangelicalismo

Tradução por Ana Sant'Anna

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Os vendedores ambulantes me fascinam. Eu perdi a conta de quantas vezes eu os rejeitei - mas não era pessoal. No fundo, eu os admiro. Eu gostaria de ser mais parecido com eles.

Eles parecem não ser afetados pelo medo do homem. Eles vão para o meio da calçada, fazem contato visual, sorriem e tentam empurrar seus perfumes ou capas de celular para cima de você. Eles sabem que não queremos ouvir, mas mesmo assim eles falam. Recentemente, uma mulher me fisgou com seu sotaque acentuado. Ela levantou a voz e quando viu que eu parei, ela soube que tinha me fisgado. Ela exalava medo. Antes de eu perceber o que tinha contecido, meus filhos tinham enormes balões nas mãos e brinquedos em seus braços, e ela estava me perguntando qual deles eles gostaram mais. Ela insistiu que eu ouvisse sua mensagem.

Por que eu não compartilho o evangelho assim?

Por quantas vezes eu, fazendo uma ilustração, me sento esperando que um homem ou uma mulher sem Deus me pergunte sobre um homem chamado Jesus? Com qual frequência eu aproveito os momentos, faço contato visual, levanto minha voz e falo das boas novas de Jesus Cristo para aqueles que não se oferecem para me encontrar na igreja?

Nós temos as melhores novas para compartilhar, a grande oferta para proclamar - pelo melhor preço aos nossos ouvintes. Os vendedores ambulantes são ousados? "Essa não é a minha personalidade,"você responde. Você é tímido e introvertido. Seus pais nunca tiveram que dizer para você não falar com estranhos. O seu desconforto faz a Grande Comissão parecer mais com um grande fardo. Como você pode superar seu desconforto para participar melhor da missão de Cristo?

Eu quero ajudar a aliviar esse medo. Nós deveríamos estar falando sobre Jesus às pessoas, não pagando os pastores para fazer esse trabalho por nós. E prefiro pecar pelo excesso de cautela, sugerindo duas medidas raramente consideradas. Vou levar em conta o seu amor por Cristo, suas orações constantes, sua dependência do Espírito, seu conhecimento do evangelho, uma preocupação crescente pelos perdidos e um ciúme do nome de Deus. Como um tímido se torna ousado para a glória de Deus?

Dessensibilizando Medos

Pense no vendedor ambulante. Ele é indiferente à rejeição? Não. Mas ele tem sido  dessensibilizado. Os primeiros dias em que suas tímidas tentativas foram ignoradas podem ter sido dolorosas, mas cem dias depois, seu medo diminuiu. "Não, obrigado" não o afeta mais. Não é pessoal. Como ele aparece dia após dia e conversa com pessoas que ele não conhece sobre produtos que a maioria delas não quer, seu medo se torna mais administrável.

Aos poucos, a exposição repetida àquilo de que temos medo diminui. Nós sabemos disso. Quando nossos filhos entram na piscina pela primeira vez, primeiro nós os levamos para o raso e com o tempo, os levamos para o fundo. Não os lançamos direto na parte mais funda.

O mesmo acontece com o evangelismo. Erramos quando assumimos que nossas únicas opções são mergulhar de cabeça ou permanecer à beira da piscina. Você pode agir estrategicamente. Você pode se sentir mais confortável com o que é necessário na evangelização antes de evangelizar. Não se trata de tudo ou nada.

Digamos que você estabeleça uma meta para si mesmo de abordar um estranho no parque local e compartilhar o evangelho com ele até o final do verão. Mesmo assim é desconfortável falar com estranhos. É aterrorizante. Mas um lado seu quer. Precisa. Você está cansado de ser escravo do medo, mas sabe que tem que fazer, e pode, com a ajuda de Deus.

Mas e agora? Resposta: Dessensibilizar. Comece dando um "oi" intencional a cinco estranhos todo dia por duas semanas. Às pessoas no parque, aos que passam por sua casa, no mercado. Então, acrescente na próxima semana, "Olá,  como você está hoje?” Depois de um bom tempo enfrentando seus medos em oração, tente dizer: “Olá, isso pode parecer estranho, mas sou cristão e, se você não se importar, posso orar por você de alguma forma?” E então: “Olá. Eu sou um cristão e descobri grandes novas no mundo e acredito que todos deveriam ouvi-la. Você se importa se eu compartilhá-la com você?"

As pessoas irão te olhar de modo estranho. Alguns irão dizer coisas que você não espera (tanto negativas quanto positivas). Deus será honrado e com o tempo (nós cremos) almas serão salvas. O evangelismo sempre requer fé e coragem, mas dar passos de fé para se dessensibilizar do medo pode ajudar. As montanhas encolhem até se tornarem colinas, depois montes de terra, através de várias tentativas.

Ou talvez seu medo seja a rejeição. Alguns de nós precisam ouvir mais "nãos" — de propósito. Como? Sugeriram-me que fizesse pedidos que sei que serão recusados só para enfrentar o meu medo. Peça ao rapaz do Chipotle se é possível comprar um burrito e ganhar outro grátis. Peça para a moça do Starbucks um café grátis. Quando fizer a pergunta com bom humor, algo assim pode ser bastante humilhante e bom para nós. Com o tempo, você se leva menos a sério, tem menos medo do terrível “não” e oferece o evangelho de forma mais livre — ouvindo muitos “nãos” ao longo do caminho. Em espírito de oração, dessensibilize-se desse medo enfrentando-o em doses controladas.

Desenvolva Sua Voz

"A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto." (Provérbios 18:21). A língua tem o poder de promover vida ou morte e isso fica mais evidente ainda no ato de compartilhar o evangelho. Alguns podem aliviar sua consciência ao dizer que a fé é uma questão particular entre eles e Deus. Mas falamos como Davi e Paulo: "Cri, por isso falei" (2 Coríntios 4:13)

Mas talvez você não fale muito. Você fica nervoso - a palma das mãos fica suada, os ombros travam, a garganta seca. Estou convencido de que a maioria dos tímidos são assim porque não são comunicadores seguros. Pelo menos, eles são mais tímidos do que seriam se falassem com mais confiança. A falta de força vocal, clareza ou de sonoridade sustenta a mentira interior de que os outros não querem ouvi-lo. Eles não soam agradáveis. Então eles ficam inseguros e, assim, permanecem em sua caverna, atribuindo tudo à sua personalidade inalterável.

Eu perguntei a alguns introvertidos: "Se sua voz soasse mais agradável, fosse mais confiável, tivesse um som mais ressonante e claro, você falaria mais do que fala agora?" É claro que falariam. O medo de não soar bem sufoca muitas tentativas. Estou convencido de que o trabalho com a voz é muito negligenciado em geral, mas especialmente para as pessoas tímidas na igreja. Alguns dos que mais valem a pena ouvir continuam sendo os mais silenciosos entre nós — por humildade, sim, mas também por falta de confiança em tocar seu instrumento.

E esse silêncio levanta muralhas entre nós. Tal é o poder e o milagre da voz. Sua voz é o canal de expressão da alma. A voz pode mostrar você, uni-lo a outros, compartilhar não apenas sua mensagem mas o mais profundo do seu ser com os ouvintes. Quando um especialista em voz fala sobre discurso, você percebe que eles não estão oferecendo melhorar apresentações na aula ou no trabalho; eles estão oferecendo libertar você. Eles sabem que a voz é o canal dos nossos pensamentos, emoções, convicções, a estrada que nosso homem interior viaja para se encontrar com os outros. As palavras nos ligam. E os cristãos sabem que isso é algo profundamente teológico. Nosso Deus é um Deus que fala e que existe eternamente com a Palavra. Pensamos e nos revelamos através das palavras.

Então, é trágico que este canal esteja entupido e represado por anos de negligência, insegurança e maus hábitos. Eu sei disso por experiência própria. Durante minha vida eu falei pouco. Tenho estudado a voz para tentar recuperar o tempo perdido. E eu descobri que você pode aprender a usar sua voz. Você não precisa continuar para sempre enclausurado em uma fala sem brilho, trêmula e meio sufocada durante todos os seus dias. Você pode falar com paixão, dinamismo e, às vezes, até com facilidade, após muito esforço. A boca fala com competência do que está cheio o coração.

Portanto, melhores hábitos vocais podem revelar um estilo de vida mais comunicativo e confiante para falar sobre todas as coisas, incluindo a mais importante: Jesus Cristo. Assim como você aprendeu a ter maus hábitos, você pode aprender a ter bons hábitos. O seu instrumento está intacto, ele só precisa ser afinado. Leia livros de forma divertida com seus filhos. Beba muita água durante o dia. Compartilhe suas ideias e leia em voz alta quando possível. Dê liberdade à expressão facial. Pratique trava-línguas. Massageie seu rosto. Faça sons com a voz frequentemente. Cante no carro e cante mais alto na igreja. Pratique compartilhar o evangelho com seu cônjuge. Fortaleça o centro do seu corpo. Você pode melhorar sua voz. Com orientação — respirar com o diafragma, articular bem, relaxar, manter uma boa postura, projetar a voz para frente — você terá mais confiança para evangelizar. Os cristãos sempre se preocuparam com a alfabetização porque lemos as Escrituras e devemos nos preocupar também com a voz para proclamar o evangelho.

Loucos por Cristo

Nenhuma habilidade ou estratégia compensará o amor verdadeiro por Jesus, o amor verdadeiro pelas almas e o desejo sincero de que os outros compartilhem da nossa alegria. Precisamos do Espírito de Deus. Precisamos conhecer o evangelho. Precisamos nascer de novo. Precisamos orar. Precisamos aceitar a ideia de sermos loucos por Cristo, nos tornarmos fracos por Cristo e rejeitados por causa Dele. Nenhum tipo de personalidade, diminuição de medos ou habilidades aprimoradas podem substituir essas necessidades.

Mas, crente tímido e reservado, precisamos da sua voz, da sua história, das suas percepções sobre a glória de Cristo. Você até pode ser mais como um André do que Pedro, mas você precisa falar. Você foi salvo por falar de Cristo e Sua majestade. Seu cantinho do mundo precisa que você testemunhe do evangelho da graça de Deus. Exponha seus medos, enfrente as dificuldades, desenvolva confiança em sua voz e sinta-se livre para falar de Cristo para a glória de Deus. Cristo é bom demais e a eternidade está muito perto para permanecer em silêncio.