Como Jesus poderia dar aconselhamento?

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English: How Might Jesus Do Counseling?

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Por Josh Squires Sobre Santificação e Crescimento

Tradução por Juan Flavio De Sousa De Freitas

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Tabela de conteúdo

Quatro caminhos para o coração humano

Como alguém que responde consistentemente ao sofrimento e ao pecado das outras pessoas, às vezes me vejo sem saber o que dizer. Outras vezes, sei exatamente o que quero dizer, mas a pessoa com quem estou falando parece não conseguir ouvir. Sei que não estou sozinho nessa experiência. E não estou falando apenas de conselheiros profissionais, mas de qualquer pessoa que tente aconselhar outras pessoas, seja em casa, na igreja, no trabalho ou em qualquer outro lugar. O que fazemos quando parece que não conseguimos avançar?

Deixe-me oferecer uma estrutura em quatro partes pela qual podemos ouvir e responder aos outros com sabedoria cristã. Vemos essa estrutura no próprio aconselhamento de Cristo — especificamente quando ele aconselha as igrejas em Apocalipse 2-3.

Aconselhamento em quatro perspectivas

Os quatro elementos dessa estrutura são elogio, conforto, convicção e desafio. Antes de explicar cada um deles abaixo, deixe-me fazer uma advertência: isso não é uma fórmula para aconselhamento. Embora eu apresente esses componentes em uma ordem —a ordem que ocorre com mais frequência em meu próprio aconselhamento— não há uma progressão rígida. Cada conversa pode ter uma combinação diferente desses quatro elementos: ou pode, na verdade, se concentrar em apenas um ou dois deles. Esses quatro elementos não são tanto um padrão ou uma fórmula, mas uma perspectiva multifacetada pela qual se pode ver a tarefa de aconselhamento.

Esse tipo de flexibilidade é exatamente o que vemos no conselho de Cristo às igrejas. Como muitos comentaristas observaram, duas das sete cartas não contêm palavras destinadas a condenar (Esmirna e Filadélfia), mas com outras igrejas (Sardes e Laodiceia), Cristo se inclina fortemente para uma linguagem condenatória e quase elimina o elogio. Por que essa variabilidade? Porque os detalhes das situações variam. Muitas vezes, quando nós, como conselheiros, nos tornamos formulaicos (dependendo demais de um método específico) ou tentamos forçar demais um elemento específico (porque confiamos em nossa própria avaliação), ficamos presos. Em outras palavras, quando nos tornamos escravos de nosso próprio conforto ou orgulho, em vez de servos de Cristo, nosso aconselhamento se torna ineficiente e obsoleto.

Menção honrosa

O primeiro componente dessa estrutura é o elogio. Por elogio, quero dizer encontrar pensamentos, sentimentos e comportamentos que estejam de acordo com a sabedoria das Escrituras e dar atenção a eles. Sinceramente, o elogio pode ser o elemento mais difícil de se dominar. Muitas vezes, precisamos vasculhar a lama e o lodo do pecado óbvio para encontrar uma pequena joia de comportamento cristão. O elogio também requer conhecer genuinamente a pessoa à nossa frente, para que nossas palavras não soem como meros clichês. No entanto, encontrar o que é digno de elogio em uma situação pode ser fundamental para construir confiança e trazer esperança.

Jesus faz isso com a igreja de Éfeso quando diz:

Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos; e sofreste e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste. (Ap. 2:2-3)

“Encontrar o que é louvável em uma situação pode ser fundamental para construir confiança e trazer esperança.” Embora Jesus passe a dizer à igreja o que ela precisa corrigir, ele reserva um momento para elogiá-la pelo que fez de bom. Muitas vezes, antes que os outros possam ouvir críticas construtivas, eles precisam saber que sua situação não é desesperadora, que têm feito algo —qualquer coisa— certo.

Mark Dever adverte que os jovens pastores muitas vezes lideram com críticas em vez de encorajamento quando começam a pregar; e o mesmo geralmente se aplica a conselheiros jovens (ou inexperientes). Em muitos casos, achamos mais fácil detectar o que os outros estão fazendo de errado do que identificar o que estão fazendo de certo, especialmente se eles estão recorrendo a nós em um momento de fracasso. No entanto, em quase todas as situações que enfrentei, consegui encontrar pelo menos uma qualidade para elogiar em meu aconselhado. E, normalmente, encontro muito, muito mais.

Conforto

O segundo componente dessa estrutura é o conforto. Por conforto, quero dizer encontrar palavras apropriadas que tragam paz, alívio e consolo. O conforto é especialmente adequado quando falamos com quem está sofrendo, mas mesmo em situações em que os outros precisam de convicção, não é incomum que, sem primeiro receber alguma dose de conforto, eles não sejam capazes de ouvir a convicção. Em outras palavras, em vez de ouvir a única coisa que achamos que eles precisam desesperadamente, eles não ouvirão nada.

Observe como Cristo dá à sua igreja sofredora na Filadélfia palavras de conforto:

Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás (aos que se dizem judeus e não são, mas mentem), eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo. Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra. (Ap. 3:9-10)

Antes de exortá-los, ele os conforta com o reconhecimento público de seu amor por eles e sua promessa de que serão poupados de uma provação futura.

Oferecer o conforto da palavra de Deus requer compreender genuinamente o que está causando dor a outra pessoa e aplicar as promessas específicas de Deus. A gloriosa garantia de Romanos 8:28 confortará muitos, mas alguns precisarão conhecer o conforto da comunhão; que não apenas eles, mas toda a criação geme de dor (Ro. 8:22). Outros precisarão do conforto de um Deus ativo e protetor: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Ro. 8:31). Outros ainda precisarão do conforto de um Deus de perdão, em cujo Filho não há condenação (Ro. 8:1). E outros precisarão da garantia de que seu sofrimento não é em vão e que “as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Ro. 8:18). Todo esse conforto vem de um único capítulo das Escrituras! E Deus tem muito mais a oferecer.

“O verdadeiro conforto cristão combina simpatia e ação, não se contentando com uma sem a outra.” O lado sombrio do conforto é que ele pode se tornar uma armadilha muito confortável. A disposição de simpatizar e pacificar infinitamente, sem a capacidade de convencer ou desafiar, permite que o pecado se agrave, sufocando lentamente o desejo de justiça. O verdadeiro conforto cristão combina simpatia e ação, não se contentando com uma sem a outra.

Convicção

O terceiro componente dessa estrutura é a convicção. Por convicção, quero dizer tornar os outros conscientes de como transgrediram a lei de Deus por seus pensamentos, sentimentos ou comportamentos; seja fazendo ou não fazendo.

Paulo diz a Timóteo: “Toda Escritura divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Ti. 3:16). Observe a dupla ênfase na repreensão e na correção. É parte da natureza das Escrituras nos mostrar onde ficamos aquém da glória de Deus. A convicção raramente é agradável; no entanto, ela não precisa ser dura. Paulo descreve seu próprio ministério de convicção aos efésios com estas palavras: “Durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar, com lágrimas, a cada um de vós” (At. 20:31). Faríamos bem se lágrimas gentis e compassivas também marcassem nosso ministério de convicção.

O próprio Jesus adverte os efésios quando escreve: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primer amor” (Ap. 2:4). Aqui e em outros lugares, ele fala sinceramente às igrejas e não poupa palavras honestas e difíceis por medo de ferir os sentimentos de seus ouvintes. De fato, que dádiva ele ser tão franco!

Como mencionado acima, em todas as sete cartas às igrejas, exceto duas, Cristo tem alguma forma de convicção a transmitir. No entanto, observe que ele não convence todas elas: isso por si só é instrutivo. As outras duas igrejas (Esmirna e Filadélfia) não tinham pecado? Claro que não. Elas eram compostas por pecadores. No entanto, por suas próprias razões, Jesus não sentiu necessidade de trazer convicção naquele momento. Da mesma forma, há momentos em que aqueles a quem aconselhamos não precisam de nossa convicção.

Quando eu priorizo a condenação? Quando os outros não estão cientes de seus pecados ou estão inventando desculpas para eles. Em situações como essas, eu enfatizo a bondade e misericórdia insuperáveis de Deus em sua disposição de perdoar (1 J. 1:9), mas também lembro a eles que o perdão de Deus requer confissão honesta e sincera. Como costumo dizer aos meus aconselhados, um tema na Escritura é que aquele que se arrepende primeiro vence.

Desafio

O quarto componente dessa estrutura é o desafio. Por desafio, quero dizer ajudar os outros a elaborarem um plano sobre como podem começar a pensar, sentir e agir em harmonia com seu propósito de acordo com as Escrituras.

Jesus não deixa as sete igrejas à procura de um caminho a seguir. Em vez disso, ele as exorta claramente, como quando diz aos de Sardes: “Sê vigilante e confirma o restante que estava para morrer, porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus. Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei” (Ap. 3:2-3). Palavras de ação saturam esta pequena seção: acordem, fortaleçam, lembrem-se, guardem, arrependam-se; um plano de batalha bíblico, se é que existe um!

Um desafio ajuda os outros a saírem com um plano de ação; dá-lhes alguma garantia de que esta semana pode ser substancialmente diferente da anterior. Quase todo o meu aconselhamento tem algum desafio no final — um plano que elaboramos de acordo com as Escrituras sobre como vamos avançar, em vez de girar em círculos ou retroceder. Ao longo dos anos, precisei aprender a ter expectativas realistas para esses planos: muitas vezes, o crescimento acontece gradualmente, um pequeno passo de cada vez. Mas, sem desafios, é muito menos provável que haja crescimento.

Quatro portas para o coração

Cada um de nós terá mais facilidade com alguns desses elementos do que com outros. Podemos descobrir que vemos facilmente onde os outros estão se desviando e o que precisam fazer; portanto, a convicção e o desafio surgem naturalmente. Outros podem ser encorajadores naturais com forte compaixão; assim, elogios e conforto vêm facilmente. Não queremos lutar contra nossos pontos fortes naturais; no entanto, queremos reconhecer a necessidade de todos esses quatro elementos em nossos diversos relacionamentos.

É fácil ficar preso quando tentamos dar bons conselhos bíblicos e, às vezes, isso não é culpa do conselheiro. Antes de partirmos com a certeza de que a dureza de coração dos outros é a culpada, no entanto, podemos tentar reformular nosso conselho usando um ou mais dos elementos acima. Podemos descobrir que uma porta se abre, permitindo-nos falar a verdade a um coração que parecia totalmente fechado momentos antes.