A Paciência Será Dolorosa
De Livros e Sermões BÃblicos
Por Marshall Segal Sobre Santificação e Crescimento
Tradução por Rosane Andrade
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Como Amar o Difícil de Amar
A paciência é uma virtude que admiramos, e até desejamos, mas de longe. No entanto, quanto mais perto ela chega de nós – quanto mais invade nossa programação, nossos planos, nosso conforto – mais desconfortável se torna.
A paciência só existe em um mundo de interrupções, atrasos e decepções. Cresce apenas no campo de batalha. Não podemos praticar a paciência a menos que nossas circunstâncias exijam isso – e as circunstâncias que exigem isso são os tipos de circunstâncias que não escolheríamos para nós mesmos. Nós escolheríamos conveniência, velocidade, eficiência, satisfação. Deus muitas vezes escolhe circunstâncias que exigem paciência. E ele nunca escolhe errado.
A impaciência nasce da relutância em confiar e nos submeter ao tempo de Deus para nossas vidas. A impaciência é uma guerra pelo controle. A paciência, por outro lado, brota de um solo diferente – de uma humilde aceitação daquilo que não conhecemos e não podemos controlar, de uma confiança profunda e constante de que Deus cumprirá todas as suas promessas, de um coração profundamente feliz por tê-Lo.
Em outras palavras, a paciência mais profunda vem de uma alegria humilde e esperançosa em Deus acima de tudo. Isso significa que a paciência real não é apenas inconveniente, difícil e desgastante, mas, humanamente falando, impossível. O tipo de paciência que honra a Deus é tão difícil que não podemos praticá-la sem a ajuda de Deus. Ela cresce somente onde o Espírito vive (Gálatas 5:22-23).
Muitos Tons de Paciência
O que podemos dizer, então, praticamente falando, sobre a verdadeira paciência na vida real? Onde poderíamos olhar nas Escrituras para ver algumas das cores e textura da paciência em ação? Um versículo, em particular, me humilha e explode com lições para a paciência diária:
Exortamos vocês, irmãos, a que advirtam os ociosos, confortem os desanimados, auxiliem os fracos, sejam pacientes para com todos. (1 Tessalonicenses 5:14)
As formas como abordamos cada grupo – os ociosos, os desanimados, os fracos – são diferentes, mas somos chamados à paciência com todos eles. O que significa que provavelmente vamos experimentar a tentação de ser impacientes com todos eles (e muitos mais além deles). Então, como pode ser a paciência em cada caso?
Auxilie os Fracos
Os fracos testam a nossa paciência porque precisam de mais de nós do que a maioria. Muitos de nós têm um impulso, pelo menos no momento, de intervir quando vemos uma pessoa fraca em necessidade, seja ela jovem, idosa, doente, emocional ou espiritualmente vulnerável. Mas a fraqueza, todos nós sabemos por experiência pessoal, raramente permanece contida dentro de um momento, o que significa que os fracos precisam mais do que de ajuda no momento; eles precisam de ajuda de longo prazo – e ajuda de longo prazo requer paciência.
Paulo não orienta a igreja a admoestar os fracos, mas para ajudá-los, e a palavra ajuda aqui também pode significar segurar firme ou ser dedicado. Há uma perseverança nessa ajuda, um apego aos fracos, mesmo depois de meses ou anos de inconveniência e sacrifício. De onde vem esse tipo de paciência? Sabendo que "De fato, no devido tempo, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios" (Romanos 5:6) - em outras palavras, Ele morreu por nós. E que "Deus escolheu o que para o mundo é fraqueza para envergonhar o que é forte" (1 Coríntios 1:27) - em outras palavras, Ele nos escolheu.
Aqueles que sabem o quanto são dolorosamente fracos e incapazes sem Deus estão mais dispostos para suportar as fraquezas dos outros. Eles não se ressentem de ajudar pela centésima vez, porque confiam e se submetem aos planos de Deus, incluindo as fraquezas que Ele colocou ao seu redor.
Incentive os Desanimados
Os desanimados testam a nossa paciência porque ficam mais facilmente desencorajados do que a maioria. Entre os Tessalonicenses, alguns estavam começando a murchar enquanto se entristeciam a perda de entes queridos (1 Tessalonicenses 4:13-5:11). O desânimo estava secando sua força espiritual e determinação – e assim eles precisavam mais dos outros (que provavelmente também estavam sofrendo).
Os desanimados não têm a mesma força ou resistência que os outros demonstram nos relacionamentos e no ministério. Trazem fardos que não podem carregar sozinhos. Muitas vezes se desesperam por causa de seus fardos, lutando para ver como a vida algum dia poderá se tornar mais suportável. E todos nós já temos nossos próprios fardos para carregar, então falar regularmente sobre a graça nas necessidades emocionais e espirituais de outra pessoa pode se tornar especialmente desgastante com o tempo. O ministério de encorajamento muitas vezes requer resistência incomum.
Aqueles que continuam caminhando com os desanimados, mesmo quando o caminho é lento e sinuoso, demonstram a força de uma paciência sobrenatural. Eles descobriram, primeiro em sua própria experiência, e depois por meio dela em favor dos outros, que
[Deus] dá força ao cansado, e aumenta o vigor daquele que não tem forças. Ele fortalece o cansado e dá grande vigor ao que está sem forças. Até os jovens se cansam e ficam exaustos, e os moços tropeçam e caem; mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças. Voam alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam. (Isaías 40:29-31)
Qualquer um que tenha experimentado o dom da força e da renovação anseia que outras pessoas desanimadas experimentem o mesmo. E quanto mais doce quando Deus fortalece e renova alguém através de nós?
Todo cristão experimenta desânimo, o que significa que todo cristão precisa de uma corrente constante de coragem para suportar o sofrimento, rejeitar a tentação, sacrificar-se no amor, abraçar a disciplina, perseverar no ministério, confiar e obedecer a Deus. E essas correntes caem ou até secam nas igrejas quando nos falta a paciência necessária para perseverar em encorajar uns aos outros.
Repreenda os Ociosos
Não é difícil ver como os ociosos testam nossa paciência. No caso dos Tessalonicenses, parece que alguns pensaram que Jesus estava voltando iminentemente, e então eles começaram a fugir de seu trabalho e deixá-lo para outros (2 Tessalonicenses 2:1-2; 3:6).
Os ociosos testam a nossa paciência porque se recusam a assumir responsabilidade e iniciativa. Eles poderiam fazer mais, ajudar mais, carregar mais, contribuir de maneiras mais significativas, mas eles se contentam em fazer apenas o suficiente (ou menos), o que significa que outra pessoa tem que fazer mais. E quando somos essa pessoa, compreensivelmente ficamos impacientes.
Mas Paulo não isenta o impaciente se sua responsabilidade, mesmo quando se trata dos ociosos. Ele diz para admoestá-los – adverti-los, exortá-los, despertá-los – mesmo que você tenha que privá-los de alimento por um tempo (2 Tessalonicenses 3:10-11) ou afastá-los da comunhão (2 Tessalonicenses 3:6). No entanto, ele diz para fazê-lo com paciência. Seja paciente com todos eles. O que isso pode significar? Geralmente, não associamos palavras duras ou consequências dolorosas com paciência.
POR QUE TER PACIÊNCIA
Primeiro, podemos perguntar: Por que somos pacientes, mesmo quando admoestamos os ociosos? Somos pacientes com pecadores, em parte, porque ainda somos um. A ociosidade dos outros – ou a ganância de outros, ou a luxúria de outros, ou a ira de outros, ou a vaidade de outros – nunca é tão má que não possamos ver algo de seu pecado em nós mesmos. É preciso muito pouca imaginação para vermos que, se não fosse um milagre imerecido, seríamos como eles – e talvez muito pior.
A impaciência com os pecadores revela uma pequena visão da misericórdia de Deus para conosco. O mesmo apóstolo que diz que devemos repreender o ocioso também diz:
Esta afirmação é fiel e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior. Mas por isso mesmo alcancei misericórdia, para que em mim, o pior dos pecadores, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza da sua paciência, usando-me como exemplo para aqueles que nele haveriam de crer para a vida eterna. (1 Timóteo 1:15–16)
Mesmo nossas repreensões devem ser temperadas com uma humilde consciência de nossa própria pecaminosidade – de quão maus seríamos sem a graça de Deus.
COMO TER PACIÊNCIA
Sabendo por que somos pacientes, mesmo com aqueles que precisamos repreender, como podemos repreender com paciência? Primeiro, provavelmente precisa ser dito que a boa repreensão em si é uma evidência de paciência. É fácil desistir dos pecadores. É fácil atacar e derrubar alguém que pecou contra nós. Aqueles que repreendem bem – que visam restaurar alguém através de confronto e correção honesta e gentil – demonstram que não desistiram, e que ainda têm esperança de que Deus concederá convicção, perdão, reconciliação e transformação.
Paciência na repreensão, no entanto, também significará disposição para esperar por mudanças. A santificação pode ser dolorosamente lenta, às vezes excruciantemente lenta. Não devemos esperar que o preguiçoso se torne imediatamente diligente – ou, da mesma forma, que o orgulhoso se torne imediatamente humilde, que o irritado se torne imediatamente gentil, ou que o lascivo se torne imediatamente puro. Nós não negligenciamos os padrões de pecado naqueles que amamos, ou damos desculpas para o pecado deles. Nós vamos até eles, os advertimos, os exortamos, até repreendemos severamente, se necessário – e continuamos fazendo isso – mas fazemos isso sabendo, mais uma vez por experiência própria, que a mudança muitas vezes vem devagar. Nós plantamos sementes sabendo que elas podem precisar de tempo para criar raízes, amadurecer e finalmente florescer.
Um Deus Paciente para Pessoas Impacientes
Podemos até acolher a oportunidade de repreender os preguiçosos e negligentes, mas podemos fazer isso com paciência? Se não pudermos, é provável que não tenhamos meditado o suficiente sobre a paciência de Deus para com pecadores como nós – pecadores como eu.
Quando Moisés implorou para ver a glória de Deus, o que Deus revelou sobre Si mesmo? "O Senhor passou adiante dele e proclamou: “Senhor, Senhor, Deus compassivo e misericordioso, paciente, cheio de amor e de fidelidade," (Êxodo 34:6). Ele tem toda razão e direito para se irritar conosco, e ainda assim é lento para se irar. Ele é paciente conosco, 2 Pedro 3:9 diz: "Não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.” Deus nunca pede a qualquer um que seja paciente sem que esta pessoa ainda não tenha recebido as riquezas infinitas de sua paciência.
Isso não significa que paciência não seja difícil. Na verdade é. Seja no trânsito a caminho do trabalho, ou em uma época de transição ou incerteza significativa, ou ao lado de um leito de hospital de alguém que amamos, a paciência pode exigir sacrifícios e rendição desconfortáveis. Na paciência do Pai, afinal, Ele não poupou o Seu próprio Filho, mas entregou-O por nós. Como foi na cruz, assim é conosco. A dor da nossa paciência cumpre o seu propósito oculto, mas belo: chamar a atenção para a beleza e o poder do amor de Deus.
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