A Ajuda de Deus em Cada Passo
De Livros e Sermões BÃblicos
Por Donald Macleod Sobre Espírito Santo
Tradução por Ulysses de Almeida Lacerda
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Sombras escuras pairam sobre as páginas finais do Evangelho de João. Para o nosso Senhor, há a sombra da cruz; para os discípulos, a sombra de sua partida iminente.
Ele está deixando-os para voltar ao Pai, e eles estão totalmente transtornados. É a essa angústia que Jesus se dirige com as palavras de João 16:7: “É para o vosso bem que eu vou; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas se eu for, eu o enviarei a vocês.”
As palavras destacam dois pontos notáveis. Primeiro, a menos que ele se vá, “o Consolador” não virá. Há uma ordem divina na obra da redenção, e em termos dessa ordem, não pode haver Pentecostes antes do Calvário. Não é simplesmente que, sem a cruz, nem os discípulos nem o Consolador teriam qualquer testemunho a dar. Há uma razão mais profunda: somente quando Cristo nos redimiu da maldição da lei é que podemos receber o Espírito prometido (Gálatas 3:14).
Antes que possa haver comunhão, deve haver reconciliação. O contrário também é verdadeiro. Onde quer que Cristo redima, o Espírito ministra. É por isso que a salvação nunca pode ser meramente uma imputação externa da justiça de Cristo. Também é profundamente interior. Onde quer que o sangue seja aspergido, o Espírito transforma.
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A Teu Favor
Mas então Jesus acrescenta uma segunda palavra notável: “É para o bem de vocês que eu vou embora”. Essa era a última coisa que os discípulos queriam ouvir. O que ele quis dizer?
Todos nós conhecemos o sentimento: “Se ao menos pudéssemos ter estado com Ele quando caminhava pelas colinas da Galileia e andava pelas ruas de Jerusalém!” Mas e se, quando ele caminhou por aquelas colinas, estivéssemos em Jericó ou no Brasil? O Senhor encarnado não podia estar em dois lugares ao mesmo tempo. Mas é exatamente isso que a vinda do Consolador torna possível. Onde quer que estejamos, Ele está conosco.
A palavra “Consolador” (do grego parakletos', no português 'paráclito) significa, literalmente, alguém chamado para estar ao nosso lado, mas Jesus também falou dele como estando conosco e até mesmo como estando dentro de nós. Essas palavras evidenciam uma intimidade notável entre os fiéis e o Espírito Santo. É verdade, não vemos mais Jesus. Mas, no lugar dessa presença externa, agora temos uma presença interna. Nunca caminhamos sozinhos. Seja em grandes jornadas missionárias, definhando em celas de prisão ou lutando em nossas próprias batalhas pessoais, o Consolador está sempre ao nosso lado, sempre conosco e sempre em nós.
Mas não como um substituto de Cristo, como se Ele tivesse ido embora quando o Espírito veio. Lembre-se das palavras de João 14:18: "Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês." Isso não pode significar apenas que os discípulos o veriam novamente em suas aparições após a ressurreição. Se fosse só isso, então os cristãos seriam de fato “órfãos” durante todo o período entre a ascensão de Jesus e seu retorno. A verdade, certamente, é que, no Consolador, o próprio Jesus vem.
Ele Está Sempre com Você
Foi isso que a Igreja expressou mais tarde na doutrina chamada 'perichōrēsis': as três pessoas da Trindade habitam e se abraçam tão intimamente que, onde está Uma, estão as Três (uma doutrina baseada nas próprias palavras de Jesus em João 14:10: “Eu estou no Pai e o Pai está em mim”). O Espírito é o Espírito de seu Filho; onde está o seu Espírito, Ele está; e é assim que Jesus cumpre sua promessa de estar presente com sua Igreja todos os dias até o fim dos tempos (Mateus 28:20).
Isso também não é tudo. O Pai também está conosco. Aqui, novamente, a intimidade é notável: “Se alguém me ama”, declarou Jesus, “meu Pai o amará, e nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada” (João 14:23). O nosso "nós" é de tirar o fôlego. O Pai, o Filho e o Espírito agora vivem no coração de cada crente. Cristo não está mais visivelmente presente conosco, mas por meio do Espírito que habita em nós, o Deus Trino está conosco a cada passo do caminho.
Ele É Uma Pessoa
E quanto ao próprio Consolador? Ele é claramente distinto de Jesus, ainda assim sua obra é uma continuação da obra de Jesus. É por isso que o Senhor o chama de “outro Consolador”, e por que João pode mais tarde chamar o próprio Jesus de Consolador (1 João 2:1). Isso ressalta o fato de que o Espírito, não menos do que Jesus, é uma pessoa, não uma força abstrata ou mero combustível espiritual; e por ser uma pessoa, nosso relacionamento com Ele também deve ser pessoal.
Ele não nos possui, como os demônios possuíam os endemoninhados, nem nos subjuga, privando-nos do uso de nossas próprias mentes e vontades. Nem somos absorvidos por Ele, como em algum grande oceano místico. Nem é uma substância intoxicante (Efésios 5:18), que destrói nosso autocontrole e nos dá sensações de euforia semelhantes às das drogas. Ele guia, ensina, testifica, defende, ajuda, incentiva, fortalece, intercede e assegura. E Ele espera que ouçamos, obedeçamos, sigamos e, acima de tudo, mantenhamos o ritmo (Gálatas 5:25).
Ele É Teu Defensor
A palavra parakletos geralmente significava um defensor, e isso se aplica ao Espírito Santo de duas maneiras distintas.
Primeiro, ele é o defensor de Cristo no mundo (João 16:8–11). Os discípulos (e a Igreja) receberam uma missão intimidante: a evangelização do mundo. Mas como podemos convencer o mundo de sua necessidade de salvação? Como podemos convencê-lo de que aquele que morreu de forma ignominiosa é o seu Salvador designado? E como podemos convencê-lo de que todo homem um dia estará diante do Seu trono de juízo?
A resposta curta é que não podemos. O alívio é que o Espírito Santo pode. Ele pode convencer o mundo. Ele pode defender Cristo e Seus testemunhos, e então nossas pobres línguas, que ceceiam e gaguejam, se tornam palavras de vida e poder.
Em segundo lugar, Ele é o defensor de Cristo em nossos corações. Ele me glorificará, diz Jesus (João 16:14), compartilhando conosco sua própria visão da beleza do Salvador. O Espírito vê a Cristo pelos olhos do Pai (João 16:13). Um crente o vê pelos olhos do Espírito.
Ele É Teu Consolador
Ainda assim, há um calor na promessa de Jesus que a palavra “defensor” não consegue transmitir. Lembre-se de que suas palavras foram dirigidas ao medo dos discípulos de ficarem sem amigos e desamparados. O consolo é que, quando Ele for embora, enviará outro que ficará ao lado deles e os defenderá, assim como Ele fez. Longe de serem órfãos, eles têm um Pai no céu e, por meio de Seu Espírito, Ele cuidará deles como somente um Pai celestial pode fazer.
No entanto, a missão do Auxiliador não significa que não haja mais espaço para a esperança, como se já desfrutássemos de tudo o que Deus deseja para Seus filhos. Ainda ansiamos por vê-lo (1 João 3:2). E a plenitude não vem com o Pentecostes, nem com o batismo no Espírito, mas apenas na glória da ressurreição.
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