Graça no trabalho monótono

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English: Grace for Monotonous Work

© Desiring God

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Por Andre Yee Sobre Trabalho e Vocação

Tradução por Daniele Weidle

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Eu amo trabalhos criativos e, no meu mundo, isso se traduz em planejamento estratégico, criação e lançamento de produtos novos e empolgantes. Considero que esse trabalho me dá energia e é intelectualmente estimulante.

Já o trabalho monótono, nem tanto.

Infelizmente, para mim, nem todo trabalho que realizo diariamente é criativo. Na verdade, a maior parte do nosso trabalho é do tipo repetitivo e monótono - intercalado com oportunidades ocasionais de criatividade. Isso é verdade para a maioria do trabalho que realizamos todos os dias, seja no trabalho ou em casa.

Tabela de conteúdo

Glorificando a Deus na repetição

As tarefas domésticas são feitas apenas para serem desfeitas em questão de dias (talvez horas?). Limpar a neve e cortar a grama poderiam ser divertidos, se não fosse preciso fazer tudo de novo, e de novo, e de novo, e de novo. Lavar a roupa, limpar a casa, lavar a louça: tudo isso tem um certo caráter repetitivo.

E não é nada diferente no mundo corporativo. Redigir relatórios de acompanhamento, participar de reuniões, organizar sistemas de arquivamento; grande parte do nosso trabalho de escritório é igualmente monótona. E aqui está o desafio que enfrentamos: como podemos encarar a monotonia de nossa vida profissional com uma perspectiva que glorifique a Deus e seja gratificante para nossas almas?

De alguma forma, parece mais fácil ver o nosso trabalho criativo como um reflexo da glória de Deus como Criador. A criatividade é um reflexo do nosso Criador. Mas como podemos glorificar a Deus quando nos envolvemos com o trabalho repetitivo que parece ser completamente desprovido de criatividade? Como glorificar a Deus quando estamos limpando nossa caixa de entrada de e-mails ou preenchendo planilhas?

O mundo nos oferece pouca ajuda nesse aspecto. O tipo de trabalho que é repetitivo e monótono não é bem conceituado em nossa cultura atual. As recompensas são abundantes para a “classe criativa”, mas não para a “classe repetitiva”. No entanto, essa divisão não reflete as prioridades de Deus.

“De novo!”

Recentemente, me deparei com as palavras de G. K. Chesterton no livro de John Piper, “Quando eu não desejo Deus: o que fazer quando não nos alegramos Nele”. Isso nos dá uma pista sobre uma maneira diferente de encarar a monotonia com que nos deparamos no nosso trabalho diário:

“As crianças sempre dizem: “de novo”; e o adulto faz de novo até quase morrer. Os adultos não têm forças suficientes para se alegrar com a monotonia. Mas talvez Deus tenha forças suficientes para se alegrar com a monotonia. É possível que Deus diga: “de novo” todas as manhãs ao sol e todas as noites à lua. Talvez não seja uma necessidade automática que torne todas as margaridas iguais; talvez Deus crie cada margarida separadamente, mas nunca tenha se cansado de criá-las. Pode ser que Ele tenha o apetite eterno da infância; já nós, pecamos e envelhecemos, e nosso Pai é mais jovem do que nós.”

Pare e reflita sobre o que isso diz sobre a visão elevada de Deus diante a repetição. Ele se deleita com a repetição monótona do universo em que vivemos. O sol nasce na mesma direção todos os dias e, a cada vez que isso acontece, Deus se alegra. E o sol continuará nascendo repetitivamente, todos os dias, como reflexo do governo fiel de Deus até o dia em Ele disser: “pare!”.

A lua e as estrelas percorrem uma órbita determinada pelo ritmo repetitivo escolhido por Deus. E Ele se deleita nessa repetição. Isso é, em grande parte, o que diz o Salmo 19:1-2 (NAA):

“Os céus proclamam a glória de Deus,
e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.
Um dia discursa a outro dia,
e uma noite revela conhecimento a outra noite.”

Deus tem força suficiente para se alegrar com a monotonia.

Dos céus para a nossa caixa de entrada

Dia após dia os céus testemunham sobre o poder criativo, a fidelidade e a sabedoria de Deus. No entanto, a maioria de nós não percebe esse testemunho diário. Talvez Chesterton está certo: nossa inabilidade de ver Deus em nossa monotonia diária tem menos a ver com a natureza de nossas tarefas e esteja mais relacionada aos efeitos do pecado em nossa alegria pura, a alegria de criança.

Mas o que isso tem a ver com o nosso trabalho diário?

Precisamos desesperadamente de um novo olhar e de um novo coração para lidar com os aspectos monótonos do nosso trabalho diário. Precisamos de um novo olhar para ver nosso trabalho à luz da missão que Deus deu a Adão e Eva: “encham a terra e sujeitem-na” (Gênesis 1:28). Martinho Lutero percebeu isso. Ele escreveu: “quando uma empregada ordenha as vacas (monotonia repetitiva) ou um trabalhador contratado capina o campo (monotonia repetitiva), desde que sejam crentes, ou seja, que acreditem que esse tipo de vida agrada a Deus e foi instituído por Ele, eles servem a Deus.

Isso se reflete no ambiente de trabalho.

Somos chamados a moldar o mundo em que vivemos, a trazer ordem a ele. E, no mundo moderno, isso pode se traduzir em organizar documentos, arquivar relatórios e arrumar nossas mesas. Quando cuidamos dessas tarefas monótonas com alegria, trazemos ordem em um mundo levado à desordem pelo pecado e refletimos a fidelidade do nosso Pai. Somos os agentes de Deus no cuidado deste mundo em que vivemos.

Graça no tédio

Devemos confiar em Deus para obter a alegria e a força necessárias para realizar bem esse trabalho. Alguns trabalhos são simplesmente enfadonhos e, por isso, é difícil lidar com eles todos os dias. Por isso, precisamos de força - eu diria que precisamos de mais força para as tarefas monótonas do que para o trabalho criativo.

Mas aqui está a boa notícia: “a alegria do Senhor é a nossa força” (Neemias 8:10). Deus pode nos dar - e nos dará - alegria e força para a obra à qual nos chamou. Inclusive nas tarefas que não envolvem criatividade.