Fique atento aos perigos espirituais

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English: Stay Awake to Spiritual Danger

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Por Jon Bloom Sobre Santificação e Crescimento

Tradução por Juan Flavio De Sousa De Freitas

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A falta de vigilância é perigosa para nossas almas — refiro-me a um perigo muito real, não a um perigo metafórico, virtual ou poético.

O apóstolo Paulo conhecia os perigos que enfrentaríamos ao seguir a Cristo:

Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente e fortalecei-vos. Todas as vossas coisas sejam feitas com amor (1 Coríntios 16:13–14)

A exortação pode parecer um pouco fora de contexto em uma longa lista de atualizações pessoais (1 Coríntios 16:1–24), mas as passagens “fora de contexto” nas Escrituras podem ser especialmente reveladoras. Paulo claramente carrega um fardo sério para que seus leitores sejam vigilantes e corajosos, especialmente os homens que lideram e pastoreiam a igreja e suas famílias: “comportem-se como homens”. O chamado à vigilância e à coragem, no entanto, é comum nas cartas de Paulo um chamado que ele dirige tanto a homens quanto a mulheres. O Espírito, por meio do apóstolo, deseja que todos os cristãos ajam com coragem, independentemente de onde o Senhor os tenha colocado na linha de batalha espiritual.

Por meio da preocupação de Paulo com os coríntios, o Espírito Santo está agora nos chamando à coragem — um chamado que nós, no Ocidente, precisamos ouvir cada vez mais, pois está se tornando cada vez mais árduo — e, portanto, difícil — para nós “retenhamos firmes a confissão da nossa esperança” (Hebreus 10:23).

Tabela de conteúdo

Fique Atento

No Novo Testamento, “vigilante” (1 Pedro 5:8), “acordado” (Marcos 13:37) ou “alerta” (Atos 20:31) são termos que os autores costumam usar para nos exortar a não negligenciar o grande perigo que nos cerca.

Percebi isso ao observar um coelho se alimentando logo cedo esta manhã, bem do lado de fora da janela do meu escritório. Esse coelho era o exemplo perfeito de vigilância. Ele nunca baixava a guarda, independentemente do que estivesse fazendo; estava constantemente em alerta. E por um bom motivo. Cães passam por ali com frequência. Um coelho é vulnerável aos cães; a falta de vigilância pode custar-lhe a vida.

É esse tipo de vigilância que o Espírito Santo, por meio de Paulo, nos exorta a manter. “Guardai-vos dos cães” (Filipenses 3:2). Cuidado que “entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho” (Atos 20:29). Um cristão, assim como uma ovelha, é vulnerável aos “cães” e aos “lobos” do maligno. Paulo está usando uma metáfora para representar a ameaça, mas não a ameaça em si. Essas ameaças espirituais são maiores para nós do que os lobos são para as ovelhas.

Portanto, o Espírito quer que estejamos sóbrios e vigilantes diante das atividades do diabo (1 Pedro 5:8). Você realmente sabe o que está caçando você? Você sabe onde ele está em relação a você (Gálatas 6:1)? Você sabe onde ele está em relação à sua família e aos seus irmãos e irmãs cristãos (Efésios 6:18)?

Nosso chamado é proteger uns aos outros, e parte disso envolve permanecer firmemente vigilantes em oração (Colossenses 4:2). Todos sabemos o que isso significa, pois sempre que nos sentimos em perigo real, nossas orações se tornam verdadeiramente fervorosas, muito rapidamente. A falta de vigilância em nós indica que não acreditamos que o perigo seja iminente. E essa é uma mentalidade perigosa para os vulneráveis terem.

Mantenham-se firmes, sejam fortes

“Permaneçam firmes na fé.” Esse tipo de determinação não é uma mera boa intenção nem aquela frágil resolução de Ano Novo. Trata-se de uma verdadeira determinação: uma resolução santa e obstinada. É traçar uma linha na areia e não recuar. É a vontade de manter a posição, aconteça o que acontecer.

Paulo usa essa frase com frequência (2 Coríntios 1:24; Gálatas 5:1; Filipenses 1:27; 2 Tessalonicenses 2:15). É uma linguagem de guerreiro: “Tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes” (Efésios 6:13).

A guerra espiritual não é uma metáfora. É muito real e muito perigosa. Não é para os fracos de coração, embora, no calor da batalha, todo guerreiro sinta a tentação de desfalecer na luta. Os soldados precisam ser lembrados de permanecer firmes. Devem lembrar que há uma causa e companheiros que precisam ser defendidos, e um inimigo que deve ser vencido.

Devemos nos fortalecer contra qualquer medo que a ameaça provoque e nos comprometer a manter nossa posição. É assim que a força espiritual se manifesta na prática. Na visão de Paulo, “ser forte” é optar por uma ação corajosa diante do perigo, apenas com a força e as armas que Deus nos fornece (Efésios 6:10, 14–17). Força ou armas sem fé não servem para nada nesta batalha (2 Coríntios 10:4–5).

Que tudo seja feito com amor

À primeira vista, podemos nos perguntar o que as admoestações vigilantes — e quase violentas — para “vigiar”, “estar firmes” e “portai-vos varonilmente” têm a ver com a exortação para que “todas as vossas coisas sejam feitas com amor” (1 Coríntios 16:13–14). Mas não há qualquer inconsistência.

O amor é o maior poder em ação entre Deus e o homem, e entre o homem e o homem (1 Coríntios 13:13). O amor é também o poder mais destrutivo contra o domínio das trevas. Jesus veio “para desfazer as obras do diabo” (1 João 3:8). Ele fez isso principalmente quando “deu a sua vida por nós” como propiciação pelos nossos pecados e, em seguida, nos instruiu a “dar a vida” uns pelos outros, num espírito de bondade cheia de graça, paciência e sacrifício (1 João 3:16).

Nada demonstra e comunica o evangelho tão claramente quanto o amor (João 13:35). Nada é tão curativo para os relacionamentos quanto o amor (1 Pedro 4:8). E quando falta o amor, isso é evidência da influência do diabo (1 João 3:10).

Portanto, “consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Hebreus 10:24). Pois as palavras e as ações de amor, ao mesmo tempo em que são as mais curativas para a alma humana, são os atos espiritualmente mais destrutivos que podemos cometer contra nosso adversário espiritual. O amor é o maior dom espiritual (1 Coríntios 13:13), e o amor é a arma espiritual mais poderosa (Romanos 12:20–21).

Nossa Necessidade de Vigilância

Precisamos dessa palavra de Paulo neste momento, essa admoestação quase casual inserida em uma lista de detalhes logísticos. Porque precisamos de um amor vigilante e corajoso. Sempre precisamos dele, é claro, mas sentiremos cada vez mais essa necessidade à medida que nossa sociedade se torna cada vez mais hostil ao cristianismo.

Precisamos de uma vigilância santa para não permitirmos que os lobos dos falsos ensinamentos se alimentem do rebanho de Deus. Precisamos de coragem, não para lutar como guerreiros culturais, mas como guerreiros espirituais do Novo Testamento. Precisamos de uma determinação santa e obstinada de não ceder nem um centímetro do terreno do verdadeiro evangelho, independentemente das mudanças nos valores sociais e nas políticas governamentais. E, para garantir que nossa vigilância e coragem permaneçam à imagem de Cristo, devemos fazer com que tudo o que fizermos seja feito com amor.