Dá-me Mais de Deus
De Livros e Sermões BÃblicos
Por Jon Bloom Sobre Santificação e Crescimento
Tradução por Lorena Sales
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Por que a Intimidade Espiritual Pode Parecer Difícil de Alcançar?
No fundo do coração de todo discípulo verdadeiro de Jesus existe um desejo profundo por mais de Deus. Mas o que é esse mais que desejamos? Cada um de nós talvez descreva esse querer de maneira um pouco diferente, dependendo de como esse anseio se refrata através da nossa biologia, história e influências teológicas. Em certo grau, nenhum de nós tem palavras para isso. Mas, no âmago, o que desejamos é realmente conhecer a Deus — conhecê-lo nas formas íntimas que somente o amor conhece.
E temos esse desejo porque, pela insondável graça de Deus para conosco em Cristo (Efésios 2:8–9), ele primeiro nos conheceu e nos amou (1 Coríntios 8:3; 1 João 4:19). É o grande desejo dele, expresso na promessa da grande profecia de Jeremias (citada na íntegra em Hebreus 8):
"Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias", declara o Senhor: "Porei a minha lei no íntimo deles e a escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo. Ninguém mais ensinará ao seu próximo nem ao seu irmão, dizendo: ‘Conheça ao Senhor’, porque todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior", diz o Senhor. "Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados." (Jeremias 31:33,34, NVI)
No coração da nova aliança está o grande desejo de Deus: que “todos me conhecerão”.
Conhecidos pelo Amor
Você não precisa saber hebraico (ou grego) para discernir o conhecimento que Deus deseja. É o conhecimento da intimidade relacional, da amizade profunda — o tipo de conhecimento que somente o amor conhece. Pois conhecer verdadeiramente a Deus é amar a Deus.
O papel do amor em conhecer intimamente alguém é profundo. Por um lado, não podemos amar intimamente alguém que não conhecemos. Portanto, o conhecimento deve preceder o amor. Mas, por outro lado, o amor profundo da amizade íntima é a porta para um conhecimento ainda mais profundo do amado, porque amigos íntimos confiam um no outro e, assim, revelam mais de si mesmos. Assim, existe um conhecimento íntimo acessível apenas através do amor profundo que resulta e produz uma confiança ainda mais profunda.
Vemos uma ilustração dessa dinâmica no final de João 6, quando, após ouvirem Jesus dizer coisas que soavam ofensivas, “muitos dos seus discípulos voltaram atrás e deixaram de segui-lo” (João 6:66, NVI). Mas os doze não o deixaram. Por quê? Porque, nas palavras de Pedro: "nós cremos e sabemos" que ele é o "Santo de Deus" (João 6:69, NVI).
Para onze deles, esse conhecimento não era meramente intelectual; eles haviam passado a amá-lo e a confiar nele, mesmo quando ele os confundia. E, porque confiavam nele, Jesus lhes revelou “o conhecimento dos mistérios do Reino de Deus” que não revelou a outros (Lucas 8:10, NVI). Conhecer realmente a Jesus era amar realmente a Jesus — e isso era a porta para conhecê-lo ainda mais. É isso que Jesus quer dizer quando, mais tarde, lhes diz:
Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele. (João 14:21, NVI)
O Caminho é Simples
Observe a simplicidade nessas palavras: Jesus se manifestará a quem o ama. E, duas frases depois, ele diz: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada” (João 14:23, NVI). Se amamos a Jesus, tanto o Pai quanto o Filho se manifestarão a nós por meio do “Espírito da verdade”, que “está” em nós (João 14:17, NVI).
Essas são promessas preciosas e grandíssimas (2 Pedro 1:4). O caminho para conhecer intimamente o Deus trino, para experimentar a comunhão relacional prometida na nova aliança, não é complexo. Jesus nos chama a guardar os seus mandamentos, ou guardar a sua palavra — o que é, essencialmente, o que ele quer dizer quando afirma: “Creiam em Deus; creiam também em mim” (João 14:1, NVI). Jesus não nos dá uma lista de rituais, práticas ascéticas rigorosas, exigências detalhadas de oração, longas peregrinações, práticas meditativas ou instruções para criar ambientes estéticos especiais a fim de experimentar comunhão com ele e com o Pai, por meio do Espírito. O caminho é simples: “Creiam em mim.”
O Caminho é Difícil
O caminho pode ser simples de entender, mas, como Jesus diz em outra passagem: “Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida!" (Mateus 7:14, NVI). A complexidade e a dificuldade para nós não vêm do caminho em si, mas do mal que enfrentamos: o mal interno da nossa incredulidade ou “fé pequena” (Mateus 17:20), somado aos efeitos do pecado remanescente que habita em nossos membros (Romanos 7:21–23), e o mal externo existente em um mundo que “está sob o poder do Maligno” (1 João 5:19, NVI). Aprender a vencer os obstáculos apresentados pela nossa carne contaminada pelo pecado e por um mundo dominado pelo diabo (1 João 2:16) é realmente muito difícil.
Mas o caminho para conhecer, amar e confiar mais profundamente em Deus é perseverar fielmente em meio às grandes dificuldades — e receber a graça do perdão de Deus quando falhamos (1 João 1:9). Pois Deus usa essas dificuldades como oportunidades para nos revelar mais dimensões de si mesmo. Por meio das tribulações, experimentamos que Jesus venceu o mundo (João 16:33), que a sua graça nos basta na fraqueza (2 Coríntios 12:9), e que ele “é poderoso para fazer que [nos] seja acrescentada toda a graça, para que em todas as coisas, em todo o tempo, tendo tudo o que é necessário, [transbordemos] em toda boa obra.” (2 Coríntios 9:8, NVI). Passamos a conhecê-lo mais.
Por esse caminho difícil que conduz à vida, também nos deparamos repetidamente com a realidade de que Deus é fiel à sua palavra “viva e eficaz” (Hebreus 4:12, NVI). E descobrimos que a realidade que estamos encontrando não é meramente um conjunto de proposições, mas uma Pessoa: Jesus, que é o Verbo vivo (João 1:1). Descobrimos, de fato, que Jesus é o caminho que conduz a ele, a vida (João 14:6). E, no que diz respeito à nossa busca prática por Deus, descobrimos que o Senhor, na maioria das vezes e de modo mais profundo, se revela a nós “por meio de sua palavra” (1 Samuel 3:21, NVI).
Para Aqueles que Querem Mais
É possível que isso lhe soe decepcionante, como se o segredo da intimidade com Deus fosse simplesmente “leia mais a sua Bíblia”. Porque o que você anseia é algo mais. Você quer estar perto de Deus e encontrá-lo de maneira mais pessoal do que parece experimentar quando lê a Bíblia ou ouve a palavra de Deus sendo pregada, ensinada e discutida. Se for assim, sua decepção pode estar resultando de uma ou de todas as seguintes possibilidades:
Primeiro, é possível que sua exposição à palavra de Deus tenha superado sua obediência a ela. Uma compreensão familiar e precisa da palavra de Deus só é válida na medida em que ela determina o seu comportamento. Jesus disse isto a alguns dos leitores mais assíduos das Escrituras em seus dias: “Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito; contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida” (João 5:39–40, NVI). Jesus se revela intimamente apenas àqueles que guardam a sua palavra. Vale a pena examinar isso em oração.
Segundo, é possível que você tenha um conceito equivocado de como a intimidade com Deus deveria parecer, o que gerou expectativas baseadas em uma espécie de fantasia, não muito diferente das expectativas irreais que podemos ter em relação ao amor romântico ou às amizades humanas profundas. Lembre-se de que os casamentos mais íntimos e nossas amizades mais próximas geralmente resultam de algumas experiências intensas que pontuam muitos momentos comuns, os quais constroem confiança e aprofundam o amor.
Em terceiro lugar, é possível que pensemos que a palavra do Senhor é um substituto insuficiente para a presença pessoal manifesta do Senhor. E, em certo sentido, é claro que isso é verdade. Mas pense no que torna seus amigos mais íntimos e manifestamente presentes tão significativos. Em última análise, as palavras através das quais vocês se revelam um ao outro em confiança mútua, juntamente com as promessas que cumprem fielmente, criam a intimidade de que desfrutam. Assim também é com Deus.
Agora Conhecemos em Parte
Mas também é possível que o seu anseio por mais seja o seu anseio inconsolável de estar com o seu Amado, o anseio que todos os verdadeiros discípulos de Jesus experimentam. Você conheceu Jesus, passou a amá-lo e a confiar nele, mas está profundamente e, às vezes, dolorosamente ciente de que as maravilhosas revelações que Deus lhe fez são como um respingo do oceano de alegria em que um dia você nadará (Salmo 16:11). Você sabe que agora vê “apenas um reflexo obscuro, como em espelho” aquilo que ele lhe revelou; que agora conhece apenas em parte, mas depois conhecerá plenamente, “da mesma forma como [você é] plenamente conhecido” (1 Coríntios 13:12, NVI). Há uma parte de você que está cansada da fase de noivado do seu relacionamento com Jesus e anseia pelo casamento, quando o matrimônio será finalmente consumado.
Para a maioria de nós, nossa insatisfação com o nível atual de intimidade com Deus vem de uma mistura destas possibilidades: lentidão em obedecer, conceitos equivocados sobre o que conduz à intimidade desejada e um anseio que só será plenamente realizado quando finalmente virmos nosso Amado face a face. Mas todas essas causas são razões para grande esperança, porque todas apontam para o fato de que realmente há mais. Há mais de Deus para conhecer, mais de Deus para amar e mais maneiras de aprofundarmos nossa confiança e intimidade com ele, guardando fielmente a sua palavra.
Qualquer que seja a causa do nosso anseio, o Espírito está despertando em nós um desejo que vem do próprio Deus. Porque é seu grande desejo — o cerne da nova aliança — que todos nós realmente o conheçamos. E algum dia, talvez mais cedo do que imaginamos, Deus cumprirá sua preciosa e grandiosa promessa:
Ninguém mais ensinará ao seu próximo nem ao seu irmão, dizendo: "Conheça ao Senhor", porque todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior. (Jeremias 31:34, NVI)
Enquanto isso, “Conheçamos o Senhor; esforcemo-nos por conhecê-lo” (Oséias 6:3, NVI).
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