Amigo, você pode estar pronto para morrer
De Livros e Sermões BÃblicos
Por Ray Ortlund Sobre Santificação e Crescimento
Tradução por Juan Flavio De Sousa De Freitas
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Duas maneiras de se preparar agora
Anos atrás, li em algum lugar que, durante a era vitoriana, as pessoas falavam frequentemente sobre a morte, e o sexo era o assunto tabu. Hoje em dia, invertemos isso. Falamos livremente sobre sexo, e a morte é o assunto tabu. Para mim, o que é estranho é o seguinte: até mesmo os cristãos evitam falar sobre a morte. Pelo amor de Deus, nós vamos para o céu! Por que deveríamos temer alguma coisa? Nosso Senhor morreu e ressuscitou, por nós.
Sim, a verdade nua e crua pode parecer intimidante. Aqui está: não precisamos procurá-la. Mais cedo ou mais tarde, algo ruim virá nos encontrar e nos levará embora. Mas por que não aceitar isso, nos preparar para isso e nos alegrar ao longo do caminho? Graças a Jesus ressuscitado, a morte não é mais uma crise. Agora é a nossa libertação. Então, morte, sua perdedora lamentável, vamos sobreviver a você por uma eternidade. Nós até dançaremos sobre o seu túmulo, quando “não haverá mais morte” (Apocalipse 21:4).
Mas, por enquanto, entre as muitas maneiras de se preparar para a morte —como comprar um seguro de vida, fazer um testamento adequado e assim por diante— aqui estão duas verdades que podem ajudá-lo a prevalecer quando chegar a sua hora. Ambas as ideias vêm de uma passagem obscura perto do final de Deuteronômio.
Sua obediência final
Primeiro, sua morte será seu último ato de obediência neste mundo. Perto do fim de sua vida terrena, Moisés recebeu uma ordem surpreendente de Deus:
Sobe o monte... e vê a terra de Canaã, que darei aos filhos de Israel por possessão. E morre no monte, ao qual subirás... (Deuteronômio 32:49-50)
Moisés obedeceu à ordem, pela graça de Deus. Sua morte, portanto, não foi uma derrota patética e esmagadora; foi seu ato final e culminante de obediência. Como você pode ver no versículo, foi até mesmo o que chamamos de uma experiência no topo da montanha.
Infelizmente, nossas mortes geralmente são dolorosas e humilhantes. Mas isso é óbvio. Por baixo das aparências superficiais, a profunda realidade é esta: sua morte também será um ato de obediência, pois você também é servo de Deus, como Moisés. A Bíblia diz sobre todos nós: “Preciosa é a vista do Senhor a morte dos seus santos” (Salmo 116:15). Ele não o jogará fora como um pedaço de lixo amassado. Ele o receberá como seu amigo precioso. Sua morte pode ser confusa aqui na terra, mas não será repugnante para Deus lá em cima. Para ele, será “preciosa”; isto é, valorizada e honrada, será você obedecendo. Àquele que disse: “Vinde após de mim” (Mateus 4:19). Você o seguiu com um primeiro passo e o seguirá com um último passo. E quando você pensar nisso, não se preocupe em falhar com ele nesse momento final. Aquele que o comanda também o carregará.
Dada a grandeza da morte de um cristão, tenho que admitir que nunca vi um funeral cristão fazer justiça à magnitude do momento. Nós tentamos, mas nossos serviços ficam aquém. Somente pela fé, olhando além de nossos pobres esforços para honrá-lo, podemos realmente saborear a maravilha da glória suprema de um cristão. Mesmo assim, vamos tornar cada funeral cristão o mais significativo possível, crendo e declarando a verdade. Um pecador comprado com sangue acaba de pisar no pescoço de Satanás e saltar para a felicidade eterna, pela graça de Deus e para a sua glória. No dia do seu funeral, este mundo incompreensivo seguirá tropeçando em sua maneira inconsciente. Mas sua família e amigos crentes entenderão o que realmente está acontecendo. E eles se alegrarão.
Sendo assim, por que não ansiar pela morte? Paulo estava tão ansioso pelo dia da sua libertação que, honestamente, não conseguia decidir se preferia continuar servindo a Jesus aqui ou morrer e ir para lá estar com Jesus: “Não sei o que devo escolher mais de ambos os lados estou em aperto” (Filipenses 1:22–23 ARC). Quando nosso trabalho aqui finalmente estiver concluído, por que ficar mais um momento? É claro que, assim como Deus decide nosso dia de nascimento (que nós sabemos), Deus também decide nosso dia de morte (que não sabemos). Vamos nos curvar ao seu cronograma. Mas, neste momento, pela fé, vamos também começar a nos sentar na ponta de nossas cadeiras, ansiosos pela expectativa. E quando ele der a ordem: “Morra”, poderemos dizer: “Sim, Senhor! Finalmente!” E morreremos. Ele nos ajudará a obedecê-lo mesmo nessa hora, especialmente nessa hora.
Sua reunião feliz
Em segundo lugar, sua morte será seu feliz encontro com os santos naquele mundo acima. Deus não apenas ordenou que Moisés morresse, mas também aprofundou e enriqueceu as expectativas de Moisés em relação à sua morte:
<blockqutoe>E morre no monte, ao qual subirás; e recolhe-te ao teu povo, como Arão, teu irmão, morreu no monte de Hor e se recolheu ao seu povo. (Deuteronômio 32:50)</blockquote>
Estar com nosso Senhor no céu é a experiência humana definitiva. Mas ele mesmo inclui nesse privilégio sagrado “a comunhão dos santos”, para citar o Credo dos Apóstolos. Quando você morrer, como Moisés, será reunido ao seu povo; todos os crentes em Jesus que já se anteciparam a você na presença de Deus.
O céu não será solitário, apenas você com Jesus. Será você com inúmeros outros, cercando o seu trono de graça, todos vocês glorificando-o e desfrutando-o juntos com entusiasmo explosivo (Apocalipse 7:9-10). Neste momento, neste mundo, somos “a igreja militante”, para usar a expressão tradicional. Mas, mesmo agora, somos um com “a igreja triunfante” lá em cima. E quando morrermos, finalmente entraremos na experiência plena da comunhão dos santos comprada com sangue.
Pense nisso. Sem divisões na igreja, sem relacionamentos rompidos, nem mesmo frieza e indiferença. Todos nós estaremos unidos diante de Cristo em uma celebração de sua salvação tão alegre que nenhuma mesquinhez poderá se infiltrar em nossos corações. Você vai gostar de todos lá, e todos lá vão gostar de você também. Você será incluído; você será compreendido e você estará seguro. Ninguém vai expulsá-lo, ninguém vai intimidá-lo, ninguém vai difamá-lo; não na presença do Rei. E você nunca mais, nem mesmo uma vez, nem mesmo um pouquinho, vai decepcionar ninguém, magoar os sentimentos de alguém ou desapontar alguém. Você será magnífico, como todos ao seu redor, pois Jesus colocará sua glória sobre todos nós.
Enfrentando a morte com calma e confiança
Mesmo agora, pela graça de Deus, chegamos...
...à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos, à universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos no céu, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados, e a Jesus, o Mediador de uma nova aliança. (Hebreus 12:22–24)
Todos eles estão lá, neste exato momento, no reino invisível. Está a apenas alguns centímetros de distância. E, no instante após seu último suspiro neste mundo sombrio, você despertará para aquele mundo brilhante acima, onde será recebido e celebrado. Santo Agostinho pode sorrir e acenar com profunda dignidade. Martinho Lutero pode lhe dar um abraço caloroso. Elisabeth Elliot pode apertar gentilmente sua mão. E talvez, pela primeira vez na vida, você descobrirá como é bom realmente pertencer a algum lugar.
Aqui está o meu ponto. Por que nós, cidadãos da cidade celestial, deveríamos temer qualquer coisa sobre a morte terrena? Pela fé nas promessas de Deus no evangelho, vamos nos preparar agora para que possamos enfrentá-la com calma e confiança, e até mesmo com ousadia.
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