A oração expressa nossa permanência em Cristo

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English: Prayer Vocalizes Our Abiding in Christ

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Por John Piper Sobre Santificação e Crescimento

Tradução por Juan Flavio De Sousa De Freitas

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Hoje quero tentar nos ajudar a vivenciar a oração como a expressão verbal de permanecer em Cristo. Quando falo da oração como expressão verbal da experiência de permanecer em Cristo, tenho em mente três maneiras pelas quais a oração expressa verbalmente essa permanência.

Primeiro, há a expressão verbal de nossa necessidade e nosso desejo de estarmos ligados a Cristo, como um ramo à videira. Tenho em mente aquele primeiro clamor quando Deus nos salvou, colocando na língua de nossas almas o sabor de sua seiva vivificante, que dá amor e alegria, de modo que clamamos: “Sim, Senhor. Eu quero isso! Faça-me seu. Prenda-me a você, como um ramo à vide, para sempre.”

E também tenho em mente o clamor recorrente, quando sentimos que nosso ramo está murchando, que diz: “Segure-me. Mantenha-me na videira. Não me deixe ir. Seja minha vida. Se houver uma doença em mim, que me desencante da seiva de Ti, que tudo satisfaz, então cure-me, podem-me e faça com que a Tua vida jorre em mim novamente.”

Essa é a primeira forma pela qual a oração expressa a permanência em Cristo: é tanto o primeiro clamor para nos ligarmos à videira quanto o clamor recorrente para permanecermos ligados a ela.

Em segundo lugar, há a expressão diária de nossa dependência agradecida, feliz e desesperada — momento a momento — da seiva de vida que flui incessantemente d’Ele. Esse não é o clamor desesperado de: “Segure-me!” É a expressão feliz e agradecida de uma confiança segura.

Quando deixei minha esposa Noël no aeroporto ontem às sete horas da manhã, enquanto ela se dirigia para o centésimo aniversário de sua mãe, parei na área de desembarque da Delta, segurei sua mão e orei: “Pai, Noël e eu estamos muito gratos por sermos seus filhos adotivos, com tudo o que isso implica de maravilhoso. Recebemos neste momento a promessa de que podemos lançar todas as nossas ansiedades sobre Ti, porque Tu cuidas de nós (1 Pedro 5:7). Descansamos e nos deleitamos em Teu cuidado. Amamos ser varas na videira. Sufra todas as necessidades enquanto a Noël viaja e eu volto para casa para preparar a mensagem de amanhã. Em nome de Jesus. Amém.”

Essa é a segunda maneira pela qual a oração expressa o permanecer em Cristo: manifestando uma dependência agradecida, feliz, desesperada e confiante — momento a momento — da seiva de Cristo, que dá vida, amor e alegria.

Em terceiro lugar, há a expressão do nosso anseio de que a vida, o amor e a alegria de Cristo fluam através de nós, produzindo frutos vivos; o anseio de que esses frutos sejam permeados pela mesma vida, amor e alegria que temos ao permanecermos em Cristo.

Então, quando cheguei em casa vindo do aeroporto, ajoelhei-me no meu escritório e disse: “Pai, você poderia me ajudar agora a preparar uma mensagem para a capela amanhã que traga muitos frutos? Você poderia fazer com que toda a vida, o amor e a alegria de Cristo que conheci ao longo dessas décadas de permanência se tornem vida, amor e alegria na vida daqueles que ouvirem?”

Tabela de conteúdo

Seis maneiras de permanecermos em Cristo

Meu objetivo é nos ajudar a vivenciar a oração como a expressão verbal de permanecer em Cristo, como (1) o clamor para permanecer na videira, (2) a expressão diária de uma dependência alegre e confiante da videira e (3) o anseio de que produzamos frutos por causa de nossa união com a videira.

Para isso, parece que devemos dedicar boa parte do nosso tempo a aprofundar a realidade do que significa permanecer em Cristo. Vou apontar seis maneiras pelas quais permanecemos em Cristo.

1. Receber vida de Cristo

Vamos começar com a imagem em João 15:5: “Eu sou a videira; vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer”. A imagem é a do discípulo de Jesus como uma vara e de Jesus como a videira.

Portanto, o mínimo que podemos dizer é que permanecer em Cristo é a experiência de receber nossa vida de Cristo. A seiva da vida flui para a vara se ele estiver permanecendo, permanecendo na videira. Se não houver ligação com a videira, então não há vida na vara.

2. Permanecer em Seu amor

Uma segunda maneira de descrever a experiência de permanecer é dizer que permanecemos no amor de Cristo. João 15:9: “Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor”. Portanto, a ligação vivificante com a videira pode ser descrita como uma ligação que doa amor à videira. A videira ama as varas. O amor flui para as varas. A vida que flui para elas é a vida do amor.

Assim, agora o mandamento “Estai em mim” (João 15:4) e o mandamento implícito “Permanecei na minha vida, que flui para vocês” tornam-se um pouco mais concretos: “Permanecei no meu amor” (João 15,9). Essencialmente, Deus está dizendo: “Continuai a receber, acolher, desfrutar, confiar e valorizar o meu amor”. Essa é a experiência de permanecer na videira.

3. Permanecer na Sua Palavra

Podemos descrever a experiência de permanecer de outra maneira ainda. Permanecer em Cristo significa permanecer em sua palavra, e que suas palavras permaneçam em nós. João 15:7: “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós...” A frase “as minhas palavras estiverem em vós” ocupa o lugar que o próprio Jesus ocupava em João 15:4: “Estai em mim, e eu, em vós”. Vemos que “eu, Jesus, permanecendo em vocês” se torna “minhas palavras permanecendo em vocês”.

E não se trata apenas de suas palavras permanecerem em nós, mas de nós permanecermos em suas palavras; assim como permanecemos nele. De acordo com João 8:31: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos”. Portanto, a experiência de permanecer em Cristo não é apenas permanecer em sua vida e em seu amor, mas também permanecer em sua palavra. João repete isso em 1 João 2:24: “Portanto, o que desde o princípio ouvistes permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no Filho e no Pai”.

Entendo que isso significa que a vida e o amor que fluem da videira para os ramos nos são transmitidos e experimentados por meio da palavra de Cristo. A vida de Jesus e o amor de Jesus não realizam nada em nossas vidas sem a palavra de Jesus.

Não existem cristãos “incógnitos”. Experiências sem a palavra — isto é, experiências sem qualquer conexão consciente com Cristo — são experiências sem valor. Cristo não recebe glória por experiências humanas que não reconhecemos como provenientes dele.

Sabemos que as experiências provêm de Cristo por causa da palavra de Cristo. Pois ele diz: “As palavras que eu vos disse são espírito e vida” (João 6:63). E assim respondemos: “Tu tens as palavras da vida eterna” (João 6:68). Portanto, permanecemos em Cristo — permanecemos em sua vida e em seu amor — ao receber, acolher, compreender e crer na realidade mediada pelas palavras de Cristo.

4. Beber de Cristo

Uma quarta maneira de descrever o permanecer em Cristo é ver a conexão entre a vara que bebe a seiva vivificante da videira e a alma que bebe de Cristo como a água da vida, ou a alma que se alimenta dele como o pão do céu. João 6:35: “Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede”. Vir a Cristo para não ter mais fome e crer em Cristo para não ter mais sede é a experiência de permanecer em Cristo. Permanecer é crer, entendido como comer e beber de Cristo.

Aqui está novamente em João 7:37–38: “Jesus... clamou, dizendo: Se alguém tem sede, que venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre”. Observe que ter sede de Cristo, vir a Cristo e beber de Cristo são substituídos por crer em Cristo. Portanto, a experiência de crer em Cristo é ter sede de Cristo, vir a Cristo e beber de Cristo; isto é, permanecer em Cristo como uma vara que permanece na videira e bebe a vida e o amor totalmente satisfatórios que nela há.

Portanto, podemos descrever a experiência de permanecer em Cristo como crer em Cristo, desde que atribuamos ao termo “crer” seu significado pleno, conforme o Evangelho de João; a saber, crer é ter sede, aproximar-se, beber e dizer: “Este é o fim da minha busca. Aqui estão a vida, o amor e a alegria”.

5. Saboreando a alegria do Filho

Essa palavra “alegria” leva a uma quinta maneira de descrever a experiência de permanecer em Cristo. Em João 15:11, depois de explicar as implicações da videira e das varas, Jesus acrescenta o seguinte: “Tenho-vos dito isso para que a minha alegria permaneça em vós, e a vossa alegria seja completa”.

É importante entender isso em conexão com a imagem da videira e das varas. Ele não diz simplesmente que, por estarmos permanecendo na videira, nossa alegria será completa. O que ele diz é que, por estarmos permanecendo na videira, a alegria dele estará em nós e, portanto, nossa alegria será plena. Em outras palavras, o que a vara recebe da videira é a própria alegria da videira: “Minha alegria [estará] em vós” (João 15:11).

Deixe-me dar a vocês uma amostra do que é essa experiência, tirada de Gálatas 4:6. Paulo diz: “E, porque são filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” Mergulhem na realidade disso. Pensem nisso em termos da videira e das varas. Fomos redimidos e tornados filhos legais de Deus pela morte de Cristo. E então ele diz que, por sermos seus filhos legalmente, Deus envia o Espírito do Filho — o Espírito da videira ou a seiva — para nossos corações, que são como varas, clamando (krazō): “Abba! Pai!” E como o Filho de Deus se sente em relação ao seu Pai? Ele o ama: “Eu amo o Pai” (João 14:31).

Ou seja, ele tem prazer infinito no Pai. Ele se deleita no Pai. E ele flui para dentro de nossos corações, nossos ramos, trazendo isso, sendo isso, exultando nisso. Ele faz isso, para usar as palavras de João 15:11, “para que a minha alegria esteja em vocês”. Ele flui para dentro de nós, “para que a minha alegria no meu Pai seja a alegria de vocês no seu Pai”.

Portanto, a experiência de permanecer em Cristo é a experiência de desfrutar de Deus pelo Espírito do Filho de Deus, que desfruta de seu Pai em nós. Se você sentir brotar dentro de si o clamor — expresso ou não, mas real — que diz: “Pai! Eu preciso de você. Obrigado por me redimir. Obrigado por me adotar. Ah, como você é precioso para mim! Eu te amo!”, então adivinhe só? Você está experimentando o Espírito do Filho de Deus amando seu Pai em você. Você está experimentando João 15:11, a alegria do próprio Cristo se tornando sua alegria, e sua alegria se tornando plena. Você está experimentando o que significa permanecer em Cristo.

6. Deleitando-se no Calvário

Considere uma última maneira de descrever a experiência de permanecer em Cristo. Em João 6:56, Jesus diz: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu, nele”. A carne crucificada e o sangue derramado de Jesus são a fonte de toda a vida, amor, alegria e palavras que recebemos da videira. Comer e beber na cruz é receber tudo do sacrifício de Cristo.

Em resumo, eu organizaria as cinco primeiras maneiras de descrever a experiência de permanecer em Cristo da seguinte forma:

E, finalmente, descobrimos que todos os benefícios de permanecermos na videira foram garantidos para nós pela carne crucificada e pelo sangue derramado de Cristo. E esse sacrifício se torna para nós o pão e a bebida do céu que nos satisfazem plenamente.

Como a Oração se Expressa

Agora, vamos revisitar de onde partimos: a oração como a expressão dessa experiência de permanecer em Cristo. Existem: (1) as orações que expressam o desejo de permanecer em Cristo, (2) as orações que expressam a realidade cotidiana de permanecer em Cristo e (3) as orações que expressam o desejo de dar frutos por meio da permanência em Cristo.

Com Desejo Desesperado

Primeiro, há orações que expressam o desejo de permanecer em Cristo. Quando Jesus pediu água à mulher samaritana junto ao poço, ela não conseguia acreditar que ele, um judeu, estivesse pedindo isso a ela. Então ele disse: “Jesus respondeu e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” (João 4:10) .

“Você teria pedido a ele” — é aí que tudo começa. Há um vislumbre, um lampejo da videira que dá vida bem ali na sua frente, um raio de esperança, e então vem um convite: “Peça-me. Basta pedir.”

E muitos de nós respondemos: “Deixe-me beber a água viva. Une-me a ti, Jesus. Faz de mim uma vara viva. Para sempre.” Mas se você ainda não provou, ainda não pediu para ser enxertado na videira, este seria um bom momento. Expresse a Deus sua necessidade e seu desejo de permanecer em Cristo.

Com alegre confiança

Depois, há as orações que expressam a realidade cotidiana de permanecer em Cristo. Elas dizem a Cristo — e dizem ao Pai — que você confia nele. Diga a eles que o amor que têm por você é a sua vida e a sua alegria. Diga a Cristo, na presença de seu cônjuge, filhos ou amigos, que as palavras dele são palavras de vida para você.

Diga a Cristo que permanecer no amor dele te enche de alegria. Diga a ele, em nome de sua família ou de seu pequeno grupo, e na presença deles: “Jesus, seu sacrifício, suas palavras, sua vida, seu amor, sua alegria são tudo para mim. Eu os saboreio. Eles são meu alimento e minha bebida. Eles satisfazem minha alma.” Diga a Ele.

Faça o que os santos têm feito há milênios. Fale ao Senhor da sua confiança. E conte a Ele sobre as alegrias de permanecer em Cristo.

Ó Deus, tu és o meu Deus;
de madrugada te buscarei;
A minha alma tem sede de ti;
A minha carne te deseja muito
em uma terra seca e cansada, onde não há água,
para ver a tua fortaleza e a tua glória,
Como te vi no santuário.
Porque a tua benignidade é melhor do que a vida,
Os meus lábios te louvarão.
Assim, eu te bendirei enquanto viver;
em teu nome levantarei minhas mãos (Sal. 63:1–4).
Eles se fartarão da gordura da tua casa,
e os farás beber da corrente das tuas delícias,
porque em ti está o manancial da vida;
na tua luz veremos a luz (Sal. 36:8–9).

Com zelo frutífero

Por fim, há as orações que expressam o desejo de dar frutos por meio da permanência em Cristo. Esse é o objetivo da vida, do amor e da alegria que fluem da videira — um tipo de vida, um tipo de amor e um tipo de alegria que contêm em si uma pressão feliz para se expandir, para crescer, tornando-se a vida, o amor e a alegria nos outros. É isso que significa dar frutos.

Jesus diz em João 4:14: “A água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna”. Sim, e mais do que uma fonte: “Quem crê em mim [permanece em mim, bebe de mim] ... rios de água viva correrão do seu ventre” (João 7:38). Ou, como diz Jesus em João 15:5: “Quem está em mim, e eu nele, este dá muito fruto”.

Essa é a seiva da videira, a água viva, a própria vida, o amor e a alegria do Filho de Deus, correndo por sua vida de vara e, então, aumentando milagrosamente — sua alegria aumentando — na vida, no amor e na alegria de outra pessoa.

E Jesus diz: “Não sejam passivos em relação a isso. Façam disso a grande paixão de sua oração”. Ele diz em João 15:7–8: “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes [por todo tipo de fruto que glorifique a Deus], e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto”. Jesus está dizendo: “Peçam-me! Peçam-me frutos que glorifiquem a Deus!”

Quando as palavras de Cristo permanecerem em vocês, quando sua verdade, vida, amor e alegria permanecerem em vocês, lhes será dado um gosto espiritual pela vontade frutífera de Deus, e vocês orarão com a paixão dada pelo Espírito: “Ó Deus, torna minha vida frutífera. Não deixe que eu murche sob os ventos escaldantes da mundanidade. Faça qualquer poda dolorosa que for necessário. Conceda-me beber de tal forma que eu me torne uma fonte — sim, um rio! — e um ramo frutífero. Oh, que eu nunca me contente até que minha alegria em você dê fruto na alegria dos outros em você. É assim, Pai, que você é glorificado — que eu dê muito fruto. Faça isso. Amém”.