A Palavra Mais Difícil de Obedecer
De Livros e Sermões BÃblicos
Por Jon Bloom Sobre Santificação e Crescimento
Tradução por Rosane Andrade
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O mandamento mais moralmente belo e atraente que Jesus já proferiu também é o mais difícil de obedecer:
Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E um segundo é assim: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. (Mateus 22:37–40)
É uma declaração de tirar o fôlego. Tudo o que Deus requer de nós, tudo o que a Escritura contém sobre "vida e piedade" (2 Pedro 1:3), resumido em dois mandamentos simples.
Nessa simplicidade, esses dois mandamentos abrangem tudo. Obedecê-los, no entanto, é tudo menos simples. E aí está o atrito. Como esses mandamentos são tão abrangentes, eles podem parecer intimidantes, na verdade, impossíveis. Como resultado, podemos presumir que não somos obrigados a levá-los tão a sério. Este é um erro grave.
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O amor é realmente possível?
Podemos erroneamente presumir que, embora obedecer a esses mandamentos fosse humanamente possível no Éden, e mais uma vez ser humanamente possível em nosso estado glorificado, eles são humanamente impossíveis agora em nosso estado caído. E então eles são realmente mais como ideais elevados, sobre os quais não precisamos pensar muito. Podemos até presumir que o propósito deles é simplesmente revelar nossa incapacidade de satisfazê-los e nossa necessidade de Cristo (Romanos 7:22-25), e que, como parte da justiça de Cristo imputada a nós, Jesus obedeceu a esses mandamentos perfeitamente em nosso favor (Romanos 8:3-4). Portanto, Jesus realmente não espera que obedeçamos a eles agora.
Embora seja verdade que Jesus comprou nossa justificação através de sua obediência perfeita, o que Paulo escreveu em Romanos 13:9 e Gálatas 5:14, e o que Tiago escreveu em Tiago 2:8, deixam claro que os apóstolos acreditavam que Jesus espera que busquemos seriamente amar a Deus com todo o nosso ser e amemos o nosso próximo como a nós mesmos - agora, nesta era, até mesmo hoje.
Quem é o modelo de discipulado para você?
A comunidade ao nosso redor confirma ou confronta nossas suposições erradas sobre o amor. Muitas vezes permitimos que nossos colegas determinem desordenadamente para nós como é o discipulado. Se muitos cristãos ao nosso redor concordam, mas não aplicam rigorosamente, esses dois grandes mandamentos, o exemplo deles pode nos influenciar a presumir implicitamente que Jesus quer que afirmemos a retidão ideal de Seus mandamentos, mas realmente não espera que trabalhemos duro para vivê-los consistentemente.
Mas, como a repreensão de Paulo a Pedro em Gálatas 2 ilustra, a influência dos pares pode nos levar a uma desobediência séria. Todo o testemunho do Novo Testamento confirma que é precisamente a maneira radical como vivemos os mandamentos de amor de Jesus, todos os quais são essencialmente exposições desses Grandes Mandamentos, que demonstram que somos seus discípulos (João 13:35).
Não, não devemos permitir que esses fatos – que esses mandamentos são difíceis de obedecer, que não somos justificados por nossa obediência, ou que outros ao nosso redor falham em obedecê-los – formem nossa suposição de que Jesus não espera que os obedeçamos seriamente. Porque ele obedece. Na verdade, Ele espera que estruturemos nossas vidas em torno de obedecê-los.
Como no mundo?
Isso nos leva de volta ao quão intimidadores esses mandamentos podem ser. Se os levarmos a sério, eles nos forçam a perguntar: Como é que eu vou conseguir obedecê-los? Essa é exatamente a pergunta certa para nos fazermos.
Você já passou algum tempo meditando sobre esses mandamentos para amar?
Não quero dizer apenas ouvir sermões, palestras e podcasts sobre eles, ou ler numerosos livros e artigos sobre eles, e formar as respostas teológicas corretas. Para os professores cristãos que produzem tais recursos (estou pregando para mim mesmo enquanto escrevo isso), não me refiro apenas ao árduo trabalho de pesquisa histórico-gramatical e hermenêutica e ao desenvolvimento de habilidades eficazes de comunicação homilética ou literária, a fim de entender e ensinar com precisão este texto dentro de sua estrutura teológica sistemática. Não me entenda mal: isso tudo é importante. Mas isso não resulta necessariamente em obediência rigorosa na vida real.
Quero dizer, você já passou horas pensando seriamente e trabalhando especificamente o que significa para você intencionalmente buscar amar a Deus com todo o seu ser na minúscula parte do mundo onde Deus o colocou, e amar o seu próximo como a si mesmo entre as almas eternamente significativas que Deus colocou lá também - especialmente os necessitados, talvez até mesmo um "inimigo" (Mateus 5:44), talvez alguém que você encontre ao longo da estrada, por assim dizer (Lucas 10:25-37)? Jesus não quer dizer que sejamos paralisados por esses mandamentos abrangentes; Ele quer que eles formem nossa abordagem fundamental da vida. Ele quer que cada um de nós pergunte seriamente como, afinal, devemos obedecê-los e colocar no esforço rigoroso de discernir em oração o que obediência pode significar especificamente para nós.
E Ele de forma alguma nos deixou sem ajuda. Ele nos deu o dom do Espírito Santo para nos guiar (João 16:13), o Novo Testamento para fornecer muitos exemplos de como transformar esses mandamentos abrangentes em aplicações práticas, e temos uns dos outros na igreja para nos ajudar a buscar esse "caminho ainda mais excelente" de vida (1 Coríntios 12:31).
Calcule o custo
Só depois de refletirmos sobre o que esses mandamentos realmente exigem de nós é que podemos determinar se estamos realmente dispostos a pagar o preço que isso custa. Jesus diz a mesma coisa:
Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la? (Lucas 14:28)
Jesus disse isso depois de declarar o que seus mandamentos custaram aos seus discípulos: eles devem renunciar a tudo. É um custo alto.
Mas o custo em si é uma expressão de amor. Nossa renúncia não é principalmente sobre o quanto sacrifício estamos dispostos a suportar por amor de Jesus; ela tem a ver com onde está o nosso tesouro e o quanto o amamos. (Mateus 6:21). É por isso que Paulo escreveu: "Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá." (1 Coríntios 13:3). O chamado de Jesus, parafraseando Jim Elliott, é para que desistamos do que não podemos guardar, para ganharmos o que não podemos perder.
Se você me ama
Os mandamentos de Jesus para amar – esses imperativos mais moralmente belos e cativantes – são as palavras mais difíceis e mais custosas de obedecer.
É por isso que, no final de seu Sermão do Monte, depois de dar exemplos específicos de como é uma vida de amor, Jesus diz: "Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida!" (Mateus 7:14). E é por isso que uma das últimas coisas que Jesus disse a seus discípulos antes de sua crucificação foi em João 15:12–13:
O meu mandamento é este: Amem-se uns aos outros como eu os amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.
Quando lemos essa declaração, especialmente à luz de algo que ele disse poucos minutos antes - “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos.” (João 14:15) - podemos ouvir tanto o eco dos dois grandes mandamentos de Jesus quanto a sua expectativa de que os levemos com a máxima seriedade, moldando nossas vidas.
Para aqueles de nós que aspiram a buscar "discipulado radical", nada é mais radical do que o amor cristão.
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