Criando Crianças que Confiam em Deus

De Livros e Sermões Bíblicos

Revisão de 17h14min de 30 de setembro de 2009; JoyaTeemer (disc | contribs)
(dif) ← Versão anterior | ver versão actual (dif) | Versão posterior → (dif)

Recursos relacionados
Mais Por John Piper
Índice de Autores
Mais Sobre Paternidade
Índice de Tópicos
Recurso da Semana
Todas as semanas nós enviamos um novo recurso de autores como John Piper, R.C. Sproul, Mark Dever, e Charles Spurgeon. Inscreva-se aqui—Grátis. RSS.

Sobre esta tradução
English: Raising Children Who Are Confident in God

© Desiring God

Partilhar este
Nossa Missão
Esta tradução é publicada pelo Traduções do Evangelho, um ministério que existe on-line para pregar o Evangelho através de livros e artigos disponíveis gratuitamente para todas as nações e línguas.

Saber mais (English).
Como podes Ajudar
Se você fala Inglês bem, você pode ser voluntário conosco como tradutor.

Saber mais (English).

Por John Piper Sobre Paternidade
Uma Parte da série I am God Almighty: Be Fruitful and Multiply

Tradução por Desiring God


Salmo 78:1-8
{Um Masquil de Asafe}Escutai a minha lei, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca. Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade. Os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado. Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do SENHOR, assim como a sua força e as maravilhas que fez. Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e pós uma lei em Israel, a qual deu aos nossos pais para que a fizessem conhecer a seus filhos; para que a geração vindoura a soubesse, os filhos que nascessem, os quais se levantassem e a contassem a seus filhos; para que pusessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos. E não fossem como seus pais, geração contumaz e rebelde, geração que não regeu o seu coração, e cujo espírito não foi fiel a Deus.

Ai de nós, se algum dia nos tornarmos tão fixados no bem-estar dos nossos filhos que perdemos nossa paixão por resgatar nossos vizinhos perdidos e alcançar as nações perdidas. É surpreendente, porém verdade o que Jesus disse em Mateus 19:29: “E todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.” Nós temos que aceitar o fato que deixar filhos por causa de Jesus pode não ser pecado.

Tabela de conteúdo

Nossos filhos não são o que temos de mais valioso

Nossos filhos não são o nosso maior valor. Cristo é o que temos de mais valioso. E o chamado de Cristo relativiza duas grandes ordenanças da criação. Uma é o casamento e a outra é a paternidade/maternidade. Na criação Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só… deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gênesis 2:18,24). Mas o apóstolo Paulo disse aos coríntios que ele desejava que todos fossem como ele – a saber, solteiro – para poder devotar-se completamente a Deus (1 Coríntios 7:7, 35). Então, é bom estar casado. Sim, mas por causa das quebras dentro do reino de Deus nestes últimos dias, pode ser até melhor estar solteiro. Ele concorda que cada um tem o seu dom (1 Coríntios 7:7). Assim, é bom ser casado. Sim, mas por causa da perseguição ao reino de Deus nesses últimos dias, pode ser ainda melhor ser solteiro.

O mesmo acontece com criação de filhos. Salmos 127:3 diz que os filhos são uma “herança” preciosa e uma “recompensa.” Gênesis 1:28 diz o que devemos fazer: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a.” Sim, mas isso também não é absoluto. Se casamento não é fundamental, a criação de filhos não pode ser também. Se a perseguição ao reino de Deus relativiza o ideal do casamento e torna o ser solteiro uma estratégia crucial e que exalta a Cristo, o mesmo se dá com a criação de filhos. Haverão estratégias ordenadas por Deus, que exaltam a Cristo e que avançam o Reino, para pais que não estão fissurados em ideais de conforto, segurança oportunidades e excelência pedagógica para os filhos. Haverá dias, Jesus diz (em Mateus 19:29), quando “por minha causa” vocês deixarão filhos. E sem dúvida ao deixar, você sentirá que a situação de lar ideal está sendo perdida. E está! Mas Deus é capaz de fazer mais do que sonhamos com as dolorosas circunstâncias criadas por seguir este chamado radical. “Vezes cem” é a palavra que ele usa. “Vezes cem” (hekatontaplasiona)!

Menciono isso só para dizer novamente: Ai de nós, se algum dia nos tornarmos tão fixados no bem-estar dos nossos filhos que perdemos nossa paixão por resgatar nossos vizinhos perdidos e alcançar as nações perdidas.

Mas tendo dito isso, ouçamos o que o nosso Deus nos ordena concernente aos nossos filhos na comunidade do Novo Pacto chamada a Igreja.

Crianças e a Comunidade do Novo Pacto

Há aqueles que acreditam que as crianças que nascem em famílias de crentes são membros da comunidade do pacto. Esse é o motivo dos presbiterianos e outros na comunidade Reformada (com os quais temos muito em comum) batizarem seus bebês. Cremos, todavia, que isso é um malentendido da natureza da comunidade do Novo Pacto.3 Acreditamos que a comunidade do Novo Pacto é criada pelo segundo nascimento, e não pelo primeiro. Portanto, o sinal do pacto, o batismo, é dado àqueles que nascem do Espírito numa família espiritual, não àqueles que nascem da carne dentro numa família física.

João o Batista ordenou àqueles que já tinham sido circuncidados na comunidade do Antigo Pacto que fossem batizados como um sinal de entrada numa nova comunidade espiritual de pessoas arrependidas. Cremos que isso é o que Jesus continuou e ordenou. Essa foi a razão de Pedro levantar-se em Pentecostes e dizer aos 3.000 judeus circuncidados: “Arrependei-vos e sejam batizados.” A comunidade do Novo Pacto (a igreja) não é algo para a qual você possa nascer segundo a carne. Você deve nascer pelo Espírito. A evidência desse novo nascimento é a fé e o arrependimento, e o sinal colocado sobre ele pela igreja, em nome de Deus, é o batismo.

Assim, como os nossos filhos se encaixam dentro da comunidade do Novo Pacto chamada igreja, se eles não são membros em virtude do nascimento físico? A forma como eu colocaria é algo assim: os filhos dos cristãos são queridos protegidos da comunidade do Novo Pacto. Eles são guardados por uma tutela espiritual, aguardando o dia em que eles despertarão para a fé em Cristo. A ligação deles com uma família cristã, no nível natural, exige uma comunidade-orfanato no nível espiritual. Muitas obrigações especiais, claras e bíblicas nos liga aos nossos filhos, não porque sejam membros do pacto antes de terem fé, mas porque Deus nos deu um mandato especial para conduzi-los à fé.

Nascer numa família do Novo Pacto não faz da criança um membro da comunidade do Novo Pacto; faz da comunidade do Novo Pacto o tutor espiritual da criança.

Qual é o nosso chamado como pais e Igreja?

O que prepara o palco agora para o mandato dessa tutela. O que Deus requer de nós? Qual é o nosso chamado como pais e como comunidade de cristãos para com os nossos filhos? A razão pela qual podemos ir agora ao livro dos Salmos para a resposta é que há coincidência suficiente entre o Antigo e o Novo Pacto, que as mesmas coisas cruciais são requeridas em ambos. Assim, deixe-nos sumarizar o propósito de Deus para os pais e para a igreja a partir de Salmos 78:4-7. Há seis estágios em nosso chamado que vejo nesses versículos.

1. A Preeminência e Centralidade de Deus

Ele começa primeiro com Deus.

Versículo 4b: “Contaremos as gerações vindouras os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que tem feito.”

Toda criação de filhos e educação cristã começa com Deus. Há uma realidade última e imutável, a saber, Deus. Tudo o mais em criação e educação de filhos procede dele. Tudo o mais é para ele. Ele é o princípio, o fim e o centro da criação e educação. Ele é a coisa principal em como você educa, ensina e disciplina as crianças. Tudo começa com Deus e é erigido sobre Deus, e tudo deve ser moldado por ele. Se há uma memória que nossos filhos devem ter das nossas famílias e nossa igreja é esta: devem lembrar-se de Deus. Deus era o primeiro. Deus era o centro. Havia uma paixão pela supremacia de Deus em todas as coisas.

2. Um Depósito Fixo da Verdade de Deus

O segundo estágio em nosso chamado como pais e como uma comunidade do pacto é que há um depósito fixo da verdade de Deus no mundo.

Versículo 5: “Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel.”

Deus tem testificado e ensinado. A palavra hebraica traduzida como “lei” (Torah) significa “ensino.” Deus tem testificado e ensinado. E nós temos esse testemunho e ensino num livro, a Bíblia. A Bíblia é a forma que Deus, a realidade última e importantíssima, revela-se a nós com clareza e autoridade hoje. Se Deus é mais importante que qualquer outra coisa, então a Bíblia é mais importante que tudo além de Deus. As implicações disso para a criação de filhos e tutela do Novo Pacto são espantosas.

1. Significa que a Bíblia será o sol no sistema solar de tudo o que ensinamos aos nossos filhos. Não será um entre muitos livros. Será o livro central, que a tudo permeia. Os outros livros são planetas escuros; a Bíblia é o sol que emana luz. Todos os outros livros serão lidos à luz deste livro. Todos os livros serão julgados por este livro. Todos os livros encontrarão sentido na cosmovisão construída por este livro. O que significa que este livro deve ser conhecido primeiro e conhecido melhor que todos os outros livros.
2. A segunda coisa que significa para nós o fato de Deus ter testificado e ensinado num livro é que há um depósito fixo da verdade a ser passado a cada geração. Paulo diz a Timóteo para “guardar o bom depósito que tinha sido confiado” a ele (2 Timóteo 1:14). Esta é a tarefa dos pais, bem como da comunidade pactual como um todo: guardar o depósito sagrado. Preservá-lo e transmiti-lo a cada geração.

3. Ensinando

O terceiro estágio no nosso chamado como pais e comunidade é o ensino.

Versículo 5: “Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel, as quais coisas ordenou aos nossos pais que as ensinassem a seus filhos.”

Somos ordenados a ensinar o testemunho de Deus aos nossos filhos. Não é suficiente preservar o depósito da verdade num livro, e falar para eles que está lá. Somos ordenados a ensinar. Efésios 6:4 diz: “E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e instrução do Senhor!” Instrução! Devemos instruí-los no testemunho e ensino de Deus.

Aqui está uma enorme implicação educacional: visto que o testemunho e a instrução de Deus estão num livro, isso significa que iremos trabalhar para ensinar nossos filhos a ler. De fato, entre “leitura, dissertação e aritmética”, a leitura será de suprema importância. E a leitura não é algo simples: inclui reconhecimento de idéias que são conectadas a símbolos. Inclui compreensão de como tais idéias se encaixam na mente de um autor para criar uma mensagem. Inclui pensamento sobre se aquela mensagem é verdadeira ou não. Nunca cessamos de aprender a como ler. Há sempre oportunidade para melhoramento na forma como lemos. E o incentivo principal para crescer e melhorar nossa leitura é que o infinitamente glorioso Deus, que fez todas as coisas e que nos ama e planeja o nosso futuro, testificou e ensinou num livro.

4. Crianças Aprendem e Entendem

O quarto estágio em nosso chamado como pais e igreja é que nossos filhos devem conhecer o testemunho e o ensino de Deus — conheça-o suficientemente bem para passar à próxima geração. Do nosso ensino vem o conhecimento deles.

Versículo 6: [Nós ensinamos] “para que a geração vindoura a soubesse, os filhos que nascessem, os quais se levantassem e a contassem a seus filhos.” Você poderia pensar que esse ponto é quase o mesmo que o anterior. Mas não é. Ensino não é o mesmo que aprendizado e conhecimento. E a distinção é importante por pelo menos duas razões.

Uma é que não podemos forçar os nossos filhos a aprender. Podemos ensinar. Mas não podemos fazer que eles entendam. Entendimento é uma coisa preciosa. O tipo de conhecimento que Deus tem em mente aqui é mais que mera memória ou conscientização mental crua. Entendimento é examinar a beleza real da verdade e abraçá-la pelo tesouro que é. Pais e igreja não podem fazer com que isso aconteça. Podemos fazer o nosso melhor colocando Deus no centro e amando, orando e ensinando. Mas no fim, há um abismo entre ensino e entendimento que só Deus pode fazer com que nossos filhos atravessem.

A outra razão para enfatizar a diferença entre nossa tarefa de ensinar e a responsabilidade deles de entender é que o restante do propósito de Deus para os nossos filhos origina-se a partir desse entendimento. Os dois estágios finais do nosso chamado são fruto desse estágio de entendimento.

5. Filhos Colocam a Confiança Deles em Deus

Então, o quinto estágio em nosso chamado é que nossos filhos coloquem sua confiança em Deus.

Versículo 7: “Para que pusessem em Deus a sua esperança.”

Deus testificou e ensinou que haveria um depósito de verdade confiável, o qual poderíamos ensinar aos nossos filhos para que eles conheçam e abracem — por quê? Para que possam colocar a sua confiança em Deus.

O objetivo de toda educação verdadeira é aprofundar e alargar a confiança em Deus. Isso é o que impede que o aprendizado leve ao orgulho — ou deveria impedir. Todo aprendizado e conhecimento verdadeiro revelam que somos dependentes de Deus e devemos depender dele ou perecer. Conhecimento que conduz à auto-suficiência ao invés de dependência em Deus, não é conhecimento verdadeiro, mas conhecimento defeituoso. É como um arqueologista que encontra um belo quadro antigo, mas esconde-o numa caixa trancada e viaja por toda parte fazendo conferências em quão brilhante ele foi ao descobri-lo; mas nunca o tirando para que todos o admirem, para que a beleza do tesouro original não diminua o seu empreendimento próprio em encontrá-lo.

O objetivo de todo conhecimento é ter confidência em Deus. Esperança em Deus. Confiança em Deus. Deus é o princípio e o fim de toda educação. Mas há um estágio final em nosso chamado como pais e igreja para com os nossos filhos.

6. Uma Vida de Obediência

Nossa confiança em Deus, firmada no conhecimento do testemunho e ensino de Deus, deve conduzir a uma vida de obediência.

Versículo 7: “Para que pusessem em Deus a sua esperança, e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos.”

Quando nossos filhos colocam a confiança em Deus, eles seguirão os mandamentos de Deus. A obediência externa não será conformidade legalista às pressões e expectativas externas. Será o fruto de confiança interna — não confiança própria, mas em Deus.

A razão da obediência externa a Deus ser o objetivo final da criação de filhos é porque ela externaliza a glória de Deus — e esta é a razão pela qual o universo foi criado. Estado interno de mente, não importa quão bom, não manifesta, revela ou exterioriza a dignidade de Deus. Mas quando nós e nossos filhos somos tão confiantes em Deus que prazerosamente obedecemos às demandas de Deus por amor e justiça, então a beleza, dignidade, sabedoria, amor e justiça de Deus resplandecem no mundo. E esta é a razão pela qual o mundo foi criado — para que o conhecimento da glória de Deus encha a terra assim como as águas cobrem o mar (Habacuque 2:14).

Conclusão

Concluo com uma sugestão para a nossa igreja. Creio que uma implicação desse chamado sêxtuplo é um novo tipo de parceria entre igreja e pais. Pais são os agentes primários de Deus nesse chamado. Mas nenhum pai pode fazer tudo isso sem a ajuda de outros. Por isso escolas existem e todos os outros esforços educacionais existem na igreja.

Criação de filhos é a coisa principal para filhos sob Deus; mas Deus quer que essa criação aconteça numa comunidade do pacto que ajude a suprir o que os pais necessitam. E ele quer, por outro lado, que os pais — e pessoas solteiras — sustentem e moldem o ministério da comunidade do pacto para com as crianças.

Convido você a orar comigo sobre essa nova parceira em nossa igreja — que a próxima geração possa colocar a sua confiança em Deus.