Tudo Bem Ter Esperança
De Livros e Sermões BÃblicos
Por David Mathis Sobre Santificação e Crescimento
Tradução por Mônica Couto Valadares
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Nossa igreja começa cada reunião de domingo com uma estranha palavra de boas-vindas: aos sobrecarregados, aos enlutados, aos fracos. A adoração não é apenas para os otimistas e cheios de esperança, mas também para os abatidos e desanimados. Você não foi esquecido, dizemos com efeito. E acreditamos que a adoração pode ser um meio essencial para a verdadeira cura.
No entanto, à medida que a pandemia se arrasta, o número de pessoas que se sentem fracas, sobrecarregadas e desanimadas aumentou, e aqueles que se mantêm alegres e cheios de esperança começaram a parecer mais como sendo exceções — especialmente em uma sociedade cada vez mais cínica. Será que talvez agora precisemos de uma palavra especial de boas-vindas para eles também?
E se você está de bom humor esta manhã, também lhes damos boas-vindas, por mais incomum que seja. Você não precisa fingir desânimo para cantar junto com este grupo de adoradores pobres e oprimidos. Jesus acolhe aqueles repletos de esperança, e nós também. Tudo bem ter esperança — na verdade, essa é a nossa oração. Nos reunimos aqui para ter nossa esperança renovada e fortalecida em Cristo.
Devemos esperar que o secularismo leve ao cinismo. Tal incredulidade, por mais sofisticada que possa parecer, não pode deixar de gerar ceticismo, crítica, desapontamento e reclamação cada vez mais intensos. Os cristãos, no entanto, têm um chamado contracultural: a esperança. Cristo nos chama a ter esperança, subjetivamente, porque temos esperança real, objetivamente. Em Cristo, temos esperança em nós, porque temos esperança nele — "Cristo Jesus, a nossa esperança" (1 Timóteo 1:1).
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Sofrendo com esperança
Isso não significa que os cristãos fingem ter apenas esperança. Todos nós sabemos que a vida nos dias atuais é complexa. Choramos por nossas próprias vidas e choramos com aqueles que choram. No entanto, também oferecemos a eles o que temos em Cristo (e o que eles desesperadamente desejam): esperança verdadeira. Na esperança que temos em Jesus — uma esperança real, sólida, estável e revigorante — somos capazes de enfrentar o verdadeiro pecado, a dor, o desapontamento e a mágoa profunda que existe em nosso mundo e em nós.
Ainda sofremos, mas não "como aqueles que não têm esperança" (1 Tessalonicenses 4:13). Nem nos lamentamos, criticamos e nos enfurecemos como os que não têm esperança. Se Cristo é capaz de nos dar esperança mesmo quando contemplamos a lápide de um ente querido, certamente ele pode nos dar esperança, não importa o que possa surgir em nossas vidas ou campo de visão.
Por enquanto, mesmo quando sofremos, nos agarramos à esperança. Entristecidos, mas sempre esperançosos.
O Que a Esperança É e Faz
Para o Cristão, esperança não é um tênue desejo. Muitas vezes usamos a palavra esperança de modo muito mais informal do que no Novo Testamento. Eu espero que amanhã faça calor. Eu espero que nossa equipe vença. Eu espero que a pandemia acabe logo. No dia a dia, costumamos dizer 'espero que' para desejos tênues sobre um futuro incerto, até improvável.
O mesmo não se aplica aos apóstolos e à igreja primitiva. A esperança deles não era frágil, passageira ou incerta. Em vez disso, falavam de uma fé bem fundamentada e voltada para o futuro. Sua esperança, enraizada na fé, era o "conhecimento da verdade", com os olhos voltados para o futuro (Tito 1:1–2). E o que é notável, e talvez normalmente negligenciado, é o quão poderosa, o quão catalisadora, o quão transformadora essa verdadeira esperança se revelará.
Não é por acaso que as duas cartas do Novo Testamento que talvez se preocupem mais ostensivamente em incitar as boas ações Cristãs — 1 Pedro e Tito — também são alimentadas explicitamente pelo poder da esperança. Não simplesmente fé, mas esperança em especial.
Repetidamente, 1 Pedro nos exorta a fazer o bem (2:12, 14, 15, 20; 3:6, 10, 11, 13, 16, 17; 4:19), sustentados pela esperança (1:3, 13, 21; 3:5, 15). A esperança em Deus leva a praticar o bem no mundo (1 Pedro 3:5–6). Os incrédulos veem os Cristãos fazerem o bem e perguntam sobre o quê? "A esperança que há em vocês" (1 Pedro 3:13–17). Você já parou para pensar em como a vida dos outros se beneficia graças à sua esperança? Ou, por outro lado, quanta coisa boa deixa de acontecer no mundo à medida que a esperança se esgota e o cinismo aumenta?
Esperança Abençoada e Energizante
Assim também em Tito. O refrão é marcante. Não sejais "inadequado para qualquer boa obra" (Tito 1:16), mas "seja um exemplo de boas obras" (2:7), "entusiasta das boas obras" (2:14), "prontos para toda boa obra" (3,1), dedicando-se às boas obras (3:8.14) — o que não significa expor a própria justiça, mas "socorrer os casos de necessidade urgente e não ser infrutífero" (3:14). Em outras palavras, ações tangíveis motivadas pelo amor. Em Tito, há uma forte ênfase em fazer o bem.
E, no entanto, tão imediatamente quanto a primeira frase da carta, Paulo fala da piedade que nasce "na esperança da vida eterna" (Tito 1:1–2). A primeira é a fé, e esta fé dá origem à "piedade, na esperança da vida eterna." Em outras palavras, a esperança é o elo crítico entre fé em Cristo e fazer o bem aos outros. A fé na pessoa e na obra de Cristo resulta em esperança de vida eterna que liberta o povo de Deus das barreiras e apegos da época atual para que possa amar e fazer o bem aos outros. E essa esperança é uma abençoada esperança (Tito 2:13). A esperança na vinda de Cristo e na felicidade que ela trará, nos dá até alegria neste momento, alegria suficiente para nos libertar de buscar nossos próprios interesses, de amar aos outros e buscar atender suas necessidades.
A estrutura de pensamento de Paulo é semelhante em Colossenses 1:4–5: "ouvimos falar da tua fé em Cristo Jesus e do amor que tendes por todos os santos, por causa da esperança reservada para você no céu." O povo de fé praticava o bem para com os outros (amor) por causa de sua esperança. A fé em Cristo alimentou a esperança em um certo futuro prometido que libertou o povo de Deus dos medos, dos emaranhados e da preguiça terrena, para sonhar e fazer o bem, fazendo o bem para os outros.
Deus Nunca Mente
Por que é que a esperança Cristã — e não a esperança em geral — tem um efeito tão catalisador em e através de nossas vidas? Paulo responde a isso nas primeiras linhas da Epístola de Tito. Quando ele menciona "esperança de vida eterna", ele acrescenta, "que Deus, que nunca mente, prometeu antes do início dos tempos" (Tito 1:2). Por que ele diria isso aqui? Claro que Deus nunca mente, mas por que dizer isso agora?
Porque as promessas de Deus sobre o futuro, que são verdadeiras e infalíveis, têm tudo a ver com a nossa esperança. Nossa esperança, que transforma a fé em Cristo em ações de amor para o bem dos outros, baseia-se nas palavras do Deus "que nunca mente." A sinceridade de Deus é completamente crítica para a nossa esperança. E nossa esperança, em Cristo, é tão boa quanto a palavra de Deus. Nossa esperança não é o que desejamos ou sonhamos; nossa esperança é o que Deus prometeu — e ele nunca mente.
Homem de Esperança
Esta dinâmica — a fé que produz esperança, que inspira a amar o risco e se sacrificar pelos outros — também aparece repetidas vezes em Hebreus e, particularmente, no próprio Cristo. Como foi que o homem de fé consumada, o próprio Deus em carne humana, o fundador e aperfeiçoador de nossa fé, realizou a maior obra de bondade que já se viu? O que o impulsionou, contra o maior dos obstáculos, a ir até a cruz? Em uma palavra, esperança.
Jesus "pela alegria que lhe foi proposta suportou a cruz" (Hebreus 12:2). Pela fé, ele olhou para as promessas de Deus e viu sua recompensa. Isso não era uma ilusão sobre o futuro, mas os olhos da fé olhando para o futuro e percebendo, e provando, que esse resultado é tão certo quanto as promessas de Deus. A fé alimentou a esperança. E a esperança produziu a maior obra de amor que o mundo já conheceu.
Em Cristo, não deixamos que o crescente desânimo ao nosso redor diminua nossa esperança. E nele, não pedimos desculpas por termos esperança real e sermos esperançosos; não cedemos à pressão de nos rebaixarmos e sermos tão cínicos quanto o ambiente que nos rodeia. Em vez disso, acreditamos na palavra de Deus. Ele nunca mente. E ele nos promete uma esperança impressionante em Cristo, uma esperança que nos liberta, com alegria, para fazer o bem.
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