O Caminho Inexpressivo Para a Imortalidade
De Livros e Sermões BÃblicos
Por Greg Morse Sobre Santificação e Crescimento
Tradução por Mônica Couto Valadares
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Conheci um homem que se afastou de Jesus porque não sabia o que fazer às noites de sexta-feira. Quando incrédulo, ele sabia exatamente o que fazer. Como Cristão, ele não tinha mais certeza. Ler sua Bíblia? Rezar? Sair com outros Cristãos? Tudo parecia tão, bem, banal. Foi isso?
Você já se sentiu assim em relação à vida Cristã? Às vezes, parece menos importante do que esperamos. Os meios da graça podem parecer tão normais — será que são realmente sobrenaturais? Às vezes pensamos que ouvimos nossa vida espiritual falar com a voz de Jacó, mas outros dias sentimos apenas as mãos terrenas de Esaú. Essa é realmente a vida que Deus prometeu? Será que realmente encontramos o que procuramos ou devemos continuar procurando? Como reavivar nosso amor pelo que parece tão comum?
Cristão, o caminho inexpressivo para a glória não é privilégio. Para entender isso, quero que você conheça um homem que lutou com a normalidade da obra milagrosa de Deus.
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Você Pode Ser Curado
Naamã era um grande homem na Síria, um homem de guerra e, apesar de ser um general altamente favorecido pelo rei e um soldado hostil no campo de batalha, Naamã estava perdendo um tipo diferente de guerra: "Ele era um homem poderoso e valente, mas ele era um leproso" (2 Reis 5:1). Sua doença o atingiu por detrás do escudo; sorriu para a espada de Naamã. Por mais que ele gritasse, seus deuses não podiam curá-lo.
No entanto, um Deus invisível (e não agradecido) estava por trás dos muitos sucessos de Naamã. Naamã foi grande e altamente favorecido porque "por ele o Senhor dera vitória à Síria" (2Reis 5:1). E este Senhor colocou uma testemunha para si mesmo na casa de Naamã. "Os sírios, em uma de suas incursões, levaram uma menina da terra de Israel, e ela trabalhava a serviço da mulher de Naamã" (2 Reis 5:2). Familiarizada com a doença de seu senhor e da angústia de sua senhora, ela corajosamente se aproxima dela: "Quem dera meu senhor estivesse com o profeta que está em Samaria! Ele o curaria da sua lepra" (2 Reis 5:3).
Um vislumbre de esperança brilha sobre um mar de desespero. Poderia ser verdade? Contra toda a esperança, a esposa diz ao marido. Talvez tenha resistido um dia, depois dois, mas será que isso era verdade? Ele precisava tentar. Ele transmite as palavras da menina ao Rei, "assim falou a menina." O Rei autoriza, escreve ao Rei de Israel: "Quando esta carta chegar até você, saiba que enviei Naamã, meu oficial, para que o cures da sua lepra" (2 Reis 5:6).
O Rei de Israel rasga a carta em um minuto; rasga suas roupas no minuto seguinte. "Por acaso sou Deus, capaz de conceder vida ou morte, para que este homem me envie alguém para que eu cure da lepra?" Ele vê a ameaça de guerra por trás do pedido (2 Reis 5:7). O Filho do Rei Acabe não é Deus (nem tem relações particularmente boas com ele). O que ele poderia fazer? Eliseu, no entanto, ouve a notícia do desânimo do Rei, e diz-lhe para enviar o homem à sua porta "para que ele [e o Rei] saibam que há um profeta em Israel" (2 Reis 5:8).
Condições de Recuperação
A impressionante comitiva de Naamã estaciona do lado de fora: "Naamã veio com seus cavalos e carruagens e parou à porta da casa de Eliseu" (2 Reis 5:9). Bateu, bateu. Nada. Bateu, bateu. Por fim, a serva de Eliseu chega à porta com as condições para a cura: "Vai e lava-te no Jordão sete vezes, e a tua carne será restaurada, e ficarás purificado" (2 Reis 5:10).
Imagine o momento tenso de silêncio depois que a porta se fechou. A cor brilha nas bochechas escamosas. Os maxilares trincam. Esse cara está falando sério? A provocação atingiu seu objetivo: ele ficou furioso e explodiu em raiva (2 Reis 5:11–12). Recebemos uma transcrição de seus pensamentos enquanto ele volta para casa:
Eis que pensei que ele certamente viria a mim e se levantaria e invocaria o nome do Senhor seu Deus, e acenaria com a mão sobre o lugar e curaria o leproso. Não são Abana e Farpar, os rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Eu não poderia me lavar neles e me purificar? (2 Reis 5:11–12)
Não, isso não serviria. Naamã queria que a cura fosse um acontecimento, algo mais adequado e espetacular. Ele queria que o profeta saísse e publicamente realizasse o milagre — ele poderia humildemente sugerir uma oração alta e eloquente ao seu Deus acompanhada de acenos, você sabe, uma maneira digna de realizar milagres. Em vez disso, ele envia uma serva para apontar para um rio pantanoso.
Não foi Naamã quem preparou o terreno? Se ele não tivesse viajado muitos quilômetros carregando centenas de libras de prata e ouro para lucrar generosamente com o Profeta ("nas proximidades de três quartos de um bilhão de dólares," IVP OT Comentário sobre o Contexto)? Ele não teria esperado educadamente à porta do curandeiro e trazido uma audiência para seus poderes? No entanto, no momento crucial, o ator principal parece ficar com medo do palco, esquecer suas falas e mandá-lo embora assim que ele chega.
Você Faria Algo Grandioso?
Uma serva (de novo) deve vir ajudar o soldado a repensar suas táticas. Aqui, a ESV diverge de outras traduções importantes. Grande parte da tradução capta o raciocínio dos servos desta forma:
E seus servos se aproximaram e falaram com ele, e disseram: "Meu pai, se o profeta tivesse lhe pedido alguma coisa difícil, o senhor não faria? Quanto mais então, quando ele vos diz: Lavai-vos e sereis purificado "?" (2 Reis 5:13 NVRJ)
Se fosse dito a Naamã para ganhar a cura conquistando um exército que estava entre ele e o Jordão, ele não teria feito isso? Se o profeta lhe dissesse para recuperar a planta mais rara que crescia no fundo do mar do Jordão, ele não teria aceitado o desafio? Mas apenas mergulhar sete vezes — por que uma criança poderia fazer isso.
Isso parecia pequeno demais, indigno demais para ser capturado numa canção. Mas Naamã, o homem acostumado a praticar atos valorosos deve ir a um rio onde o valor não é exigido. Ele deve deixar seus feitos heroicos nas margens, se despir de seu orgulho e se curvar sob as águas de Israel. Se ele quiser ser curado, ele deve primeiro ser humilhado. Ele não seria salvo por suas boas obras ou pela suas grandes obras.
E Naamã fez o que jamais se arrependeria: "desceu e mergulhou sete vezes no Jordão, conforme a ordem do homem de Deus, e a sua carne foi restaurada como a carne de uma criança, e ele foi purificado" (2 Reis 5:14).
Nós Recusamos A Cura?
Naamã reconsiderou e voltou à porta de Eliseu, não apenas curado, mas salvo. Ele voltou não apenas com a carne da pequena serva judia, mas com sua fé, jurando sua fidelidade ao único Deus verdadeiro (2 Reis 5:15, 17).
Leitor, leve isso a sério: ele quase se afastou da cura e da salvação por causa de sua ideia de como deveria ser curado. As coisas mudaram hoje em dia? Quantos Naamans olharão para o lago de fogo porque deprezaram a superfície lamacenta do Jordão? Muitos se afastam do único nome apresentado pelo céu, pelo qual os homens devem ser salvos, Jesus Cristo, porque preferem o Abana e o Farpar do mundo. A maneira insensata de crer no Messias crucificado ainda é desprezada e rejeitada pelos homens, "obstáculo para os judeus e loucura para os Gentios" (Isaías 53:3; 1 Coríntios 1:23).
Mas também existem Naamans que começam a mergulhar, mas não perseveram as sete vezes completas. Eles abandonam a maré da cura por causa de uma falsa sensação de como se deve ser sustentado na fé. Essas águas não parecem muito diferentes das de outros rios em que estiveram. Eles mergulham por um tempo, sentem a normalidade da vida Cristã e se afastam de Jesus porque não sabem o que fazer nas noites de sexta-feira.
Iludidos pela Insignificância
Se ao menos pudéssemos ver como os anjos. Vamos reimaginar, por um momento, uma atividade normal da vida Cristã: a leitura da Bíblia. Meio acordado, você desce as escadas com dificuldade, prepara um café e abre a próxima seção das Escrituras. Você vem fielmente, com expectativa, mas é assim que a vida importante em Cristo se parece e se sente? Esta seção da nossa Afirmação da Fé pode transformar tempos normais em sua palavra:
11.1 Nós acreditamos que a fé é despertada e sustentada pelo Espírito de Deus através de Sua Palavra e oração. O bom combate da fé é travado principalmente meditando nas Escrituras e rezando para que Deus as aplique em nossas almas.
O bom combate da fé é travado principalmente pela leitura meditativa e fervorosa da Bíblia. Ouvir nosso Senhor, comungar com ele, trazer sua verdade para os aposentos de nossas almas, obedecer ao que lemos - esta é uma parte vital, às vezes pouco impressionante, para a imortalidade.
Não conquistamos o Monte Everest ou escalamos as copas das árvores da Amazônia para receber revelação especial e alimentar a fé — encontramos Jesus no caminho estreito, no caminho difícil, no caminho simples da meditação bíblica no Espírito e na oração. Nós damos isso como garantido? Alguns de nós precisamos ser questionados: se Jesus morasse nos Everglades ou residisse na Lua, e nos dissessem que poderíamos ouvi-lo, aprender com ele e receber a vida eterna dele lá, você não faria um grande esforço para ir ter com Ele? Então, por que temos três traduções da Bíblia em nossas casas que não são lidas?
Assim como aconteceu com Eliseu, a palavra não vem de forma teatral — não em fogo, em trovão, em terremoto — mas em um sussurro. Será que vamos ouvir? Como diz um comentarista, "Deus muitas vezes nos testa com pequenas coisas" (Donald Wiseman, 1 e 2 Reis: Introdução e Comentário, 220). Não se deixe enganar pela insignificância dos meios comuns da Graça a ponto de negligenciá-los.
Descendo o Rio
Este caminho desgastado para a glória é exatamente como deveria ser. Por quê? Porque a história já tem um Herói. Não são nossos ombros que devem suportar a eternidade; não somos nós que esmagamos a cabeça da serpente; o espetáculo foi realizado pelo Deus-homem na cruz e repetido na sua ressurreição. Como Naamã, não somos salvos por nossas boas ou grandes obras, antes ou depois de nos convertermos; somos salvos por Ele para que ninguém se vanglorie na presença de Deus.
Então, descemos tranquilamente para o rio, ou para a sala de estar, ou para a reunião da igreja, ou apenas nos ajoelhamos, e recebemos seus despojos. Mergulhamos repetidamente nas águas e confiamos que ele continuará a nos curar e nos sustentar de um grau de glória para o outro. Obedecemos a sua palavra e cremos nas promessas de que ele terminará o que começou. Não nos cansamos desse maná celestial que sustenta nossas almas em favor do alimento do Egito. Mesmo que muitas vezes não estejamos fazendo nada de extraordinário, algo extraordinário está acontecendo: Deus está caminhando conosco, nos encorajando, conforme a imagem de seu filho, nos levando para casa.
Não fazemos grandes coisas para a salvação, nem beneficiamos a Deus de forma alguma com nossas riquezas. Ele supre todas as nossas necessidades na pessoa e obra de seu Filho e recebe a glória por isso. Mas receberemos algo se continuarmos neste humilde caminho: alegria agora e eternidade com ele.
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