Senhor, Impeça-me de Desperdiçar Minha Vida
De Livros e Sermões BÃblicos
Por Jon Bloom Sobre
Tradução por Natalia Moreira
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Tornar-se diligente é um trabalho árduo, mas diligência não é sinônimo de trabalhar arduamente. Eu sei por experiência própria que uma pessoa pode acordar cedo e ir dormir tarde, gastar muita energia, estar bastante ocupado, não ver TV ou se perder nas mídias sociais — aparentando estar trabalhando duro — e ainda assim não fazer o que realmente importa.
Diligência combina com a disposição de trabalhar duro com um foco criterioso, um senso de urgência, um cuidado vigilante e perseverança fiel. E uma das chamadas bíblicas mais claras sobre diligência é a exortação de Paulo:
Tenham cuidado com a sua maneira de viver: que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor.
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Foco Criterioso
Uma pessoa diligente procura “compreender qual é a vontade do Senhor” (Efésios 5:17). Baseado nesse contexto, Paulo não se refere à vontade oculta de Deus (por exemplo, sobre se ou com quem devemos nos casar). Ele primariamente se refere à vontade de Deus sobre pecados específicos a serem evitados. Nós aprendemos a “discernir o que é agradável ao Senhor” (Efésios 5:10).
Mas julgando pelo jeito que Paulo lidava com a vida — vivendo como um “soldado” que evitava “atividades civis” para “poder agradar àquele que o alistou.” (2 Timóteo 2:4) — é seguro presumir que Paulo afirmaria a aplicação desse princípio a prioridades menores que, embora não sejam inerentemente imorais, nos distraem de nosso foco. Tanto as distrações pecaminosas quanto as desnecessárias costumam ser difíceis de deixar de lado.
À medida que escrevo, um problema na minha vida causa uma ansiedade e preocupação consideráveis. Há uma mistura de ansiedade boa, similar à preocupação de Paulo por todas as igrejas (2 Coríntios 11:28) e ansiedade pecaminosa, do tipo que Paul instruiu aos Filipenses a não cederem (Filipenses 4: 6-7). Diligência requer que eu deva discernir qual é qual e lidar com o pecado apropriadamente. Mas a diligência também requer que eu compreenda que a vontade de Deus para mim nesse momento é focar em completar meu trabalho do dia, temporariamente negligenciando a questão da demanda, que, embora importante, não seja a prioridade no momento.
Num sentido bastante real, uma pessoa diligente deve aprender a ser negligente. Há uma miríade clamorosa e exigente e prioridades menores que uma pessoa diligente deve negligenciar estrategicamente. Isso requer o desenvolvimento da disciplina de um foco criterioso.
Senso de Urgência
Uma pessoa diligente “aproveita ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus” (Efésios 5:16).
Ela percebe que o tempo é limitado. Mais uma vez, o contexto nos diz que Paulo provavelmente tem em mente a santidade. Nós não devemos desperdiçar nosso tempo com pecados. O melhor uso do tempo é ser preenchido com o Espírito e produzir o fruto dele (Gálatas 5:22-23) e não dissipar pecados como bebedeira ou imoralidade sexual (Efésios 5:3,18).
Mas, de novo, Paulo diria o mesmo sobre “deveres civis”. Não há tempo o suficiente para fazer tudo que gostamos de fazer. Mesmo como soldados, não há tempo hábil para fazer todas as obras boas, úteis e espirituosas que gostaríamos (2 Coríntios 9:8).
Uma pessoa diligente sente a urgência sobre o breve momento que tem sobre a terra e procura usar sabiamente esse número de dias nas coisas que ela discerne como o mais importante para ela (Salmos 90:12).
Cuidado Vigilante
Uma pessoa diligente também repara em como caminha, “não como insensatos, mas como sábios” (Efésios 5:15). Esse tipo de cuidado necessita de uma vigilância cultivada; não é natural para a maioria de nós, que tem uma inclinação de cair em rotinas familiares de pensamento e comportamento.
A maioria de nós tem hábitos de respostas emocionais a certas situações e relações dinâmicas pecaminosas ou falhas, que são condicionados na infância e adolescência. Nós podemos mal percebê-las por não estarmos observando atentamente. A maioria não quer gastar a energia espiritual, mental e emocional para cultivar uma vigilância sobre como caminhamos.
O que significa que a maioria de nós não é sábia. Sei que não sou por natureza. Não tenho a inclinação natural para esse tipo de vigilância; mas sou velho o bastante para saber os benefícios reais de longo prazo onde eu a apliquei — assim como as consequências de não tê-la aplicado. Isso só aumenta minha convicção de abandonar a insensatez do descuido e olhar mais atentamente a como eu caminho.
Perseverança Fiel
E finalmente, pessoas diligentes perseveram cultivando e aplicando um foco criterioso, um senso de urgência e uma vigilância cuidadosa sobre como vivem. Isso não está no texto explícito, mas com certeza no implícito, especialmente na palavra “dias” (Efésios 5:16).
Os “dias maus” descritos na era em que vivemos. Cada um desses dias nós vivemos como cristãos na terra — até sermos levados pela morte ou que Jesus retorne — é dominado pelo mau, em que Paulo deixa claro em Efésios 6. Os perigos de cair em pecado ou ceder nós mesmos às “atividades civis” não desaparecem. A exortação de Paulo é uma que devemos aplicar “[encorajar] uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama “hoje”, a fim de que nenhum de vocês seja endurecido pelo engano do pecado” (Hebreus 3:13).
O Que Quer Que Custe
Toda diligência é trabalho duro. Mas a diligência cristã vai além do trabalho duro para uma cultivação empoderada pelo Espírito de um foco criterioso, senso de urgência, cuidado vigilante e perseverança fiel. E um cristão sabe que sem a ajuda de Deus, não perderemos a largada e desperdiçaremos muita vida num monte de pecados em “atividades civis”. Então, nós oramos:
O que quer que custe, Senhor, aumenta minha determinação de fazer Sua vontade com toda a diligência.