O Prazer de Deus no Trabalho Comum
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Edição actual tal como 18h54min de 4 de fevereiro de 2026
Por Marshall Segal Sobre Santificação e Crescimento
Tradução por Anna Rodrigues
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Fico pensando em quantas pessoas, na época dele, conheciam o apóstolo Paulo como um rapaz que fabricava e consertava tendas. Certamente muitas delas. Quando chegou a Corinto, foi visitar Áquila e Priscila, “e, como era da mesma profissão, ficou hospedado com eles e trabalhou, pois eram fabricantes de tendas” (Atos 18:3). Ele vinha fazendo isso há algum tempo. Ele conhecia bem pelos de cabra. Ele provavelmente conseguiria dar seus nós favoritos sem olhar. Ele conhecia todas as maneiras como os buracos eram feitos e como consertá-los. Imagino que, como acontece na maioria das profissões, em alguns dias ele desejava poder escolher outra.
Fico pensando em quantos conheciam o apóstolo Pedro como um pescador. Certamente muitos. Mesmo depois de Jesus ter morrido, ressuscitado e aparecido para os seus discípulos, onde ele foi encontrar seu amigo? Onde Pedro havia passado tantos dias longos e noites ainda mais longas, onde Jesus o encontrara pela primeira vez anos antes — pescando (João 21:3). Ele sabia o cheiro de cada tipo de peixe (e, se esquecesse, suas roupas podiam lembrá-lo). Ele havia passado por tempestades severas. Ele sabia o melhor lugar para lançar a âncora e as melhores horas para lançar as redes — e sabia como era levantar uma rede vazia (como naquela noite em que Jesus ressuscitado apareceu de repente).
Fico pensando em quantas pessoas conheciam Jesus como um homem que construía mesas e cadeiras. Sabemos que alguns conheciam. Quando ele retornou à sua cidade natal para pregar, seus antigos vizinhos perguntaram: “Qual é a sabedoria que lhe foi dada?” Como são realizadas obras tão grandiosas através de suas mãos? Não é este o carpinteiro, filho de Maria? ” (Marcos 6:2-3). Eles ficaram surpresos com as palavras dele, pois já estavam acostumados a vê-lo com serras, martelos e pregos. Ele não veio apenas em carne e osso, mas também em suor e trabalho árduo. Um homem de farpas e familiarizado com contratempos.
Cada um deles alterou a história com seu ministério (e nenhum mais do que o Deus-homem). Cada um deles também passou grande parte da vida realizando trabalhos comuns, até mesmo tediosos (talvez até mais comuns do que o que você tem diante de si). E cada um deles sabia que um trabalho como o deles, quando bem feito, estava longe de ser comum.
Homem sai para trabalhar
Faríamos nosso trabalho de forma diferente no próximo ano se pudéssemos enxergar até mesmo nosso trabalho cotidiano através da perspectiva mais ampla de Deus? Então, onde poderíamos ir para perceber o que Deus vê em nosso trabalho? Adoro os vislumbres que temos do mundo selvagem e maravilhoso do Salmo 104.
O salmo, como tantos outros, tem o propósito de despertar admiração e alegria em nossas almas. Começa, no versículo 1, com: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor!” Mas este salmo segue um caminho menos percorrido para a adoração. Quando o salmista percebe a discrepância entre o que ele crê sobre Deus e como se sente em relação a Deus, ele deixa sua mente vagar por colinas e vales (versículo 8). Ele caminha ao longo das fontes e entra nos oceanos (versículos 10, 25). Ele observa os texugos e escuta os pássaros (versículos 12, 18). Criação foi o hinário escolhido por ele, com todas as suas melodias familiares e mudanças de tons surpreendentes.
Mas estávamos falando de trabalho comum — e o salmista chega a este ponto. Observe como o homem entra em cena: “As árvores do Senhor são regadas abundantemente”, versículo 16. “As altas montanhas são para as cabras selvagens”, versículo 18. “Ele fez a lua para marcar as estações”, versículo 19, “o sol sabe a hora de se pôr”. Versículos 21–23,
Os leões jovens rugem por suas presas,
buscando seu alimento em Deus.
Ao nascer do sol, eles se esgueiram
e se deitam em suas tocas.
O homem sai para o trabalho
e se dedica ao seu labor até o anoitecer.
O homem sai para trabalhar e cumpre o seu dia inteiro de trabalho. Parece um pouco frustrante, não é? As árvores se elevam até os céus, as montanhas tremem com a vida selvagem, os leões rugem sua fome para que todos ouçam, a lua anuncia o outono, o inverno e a primavera, o sol escolhe quando o céu passa do azul para o vermelho, do roxo para o escuro... e Paulo atravessa a cidade para consertar mais uma barraca rasgada. Pedro carrega seu barco para mais um dia no mar.
O salmista vê algo no trabalho do homem, mesmo no trabalho mais monótono e cansativo, que muitas vezes não conseguimos ver nem experimentar no nosso.
Obra de Deus Multifacetada
Repare que o homem do versículo 23 não estava indo para um escritório de canto com uma bela mesa e grandes janelas. Ele não estava escrevendo um código para alguma tecnologia revolucionária. Ele não supervisionava armazéns em vários continentes. Ele estava no campo, realizando trabalho braçal — sem telefone, sem e-mail, sem equipamentos sofisticados. Apenas um homem e suas mãos contra os espinhos e cardos. O trabalho cotidiano dele faria com que a maioria dos nossos trabalhos atuais (mesmo os mais físicos) parecesse extraordinária.
“O homem sai para o seu trabalho e para o seu labor até a noite.” No versículo seguinte, ouça isto: “Ó Senhor, quão numerosas são as tuas obras!” — árvores, montanhas, leões e o trabalho que o homem pode fazer — “Com sabedoria as fizeste todas; a terra está cheia das tuas criaturas.” O trabalho comum do homem é uma das muitas obras de Deus. Seu trabalho é uma das muitas obras de Deus. Nenhuma outra criatura no planeta consegue fazer o que você faz. O que você consegue fazer em uma, duas ou oito horas com sua mente, suas mãos e seus dons diz tanto ou mais sobre Deus do que um pôr do sol, um desfiladeiro ou uma tempestade. Você acredita nisso? Você trabalha como se fosse verdade?
Só Deus poderia conceber uma criatura capaz de realizar o trabalho para o qual você foi chamado. Todo ser humano que você encontra trabalhando (seja de escritório ou operário; remunerado ou não; estudante, empregado, gerente ou dona de casa) é uma tela viva coberta pela sabedoria e criatividade de Deus — quer acredite nele ou não, quer veja a glória em seu trabalho ou não. O fato de eles conseguirem fazer o que fazem, seja lá o que fizerem e quão bem o fizerem, nos lembra de quanto mais Deus pode fazer.
O prazer de Deus em seu trabalho
Ainda não vimos o suficiente no Salmo 104. Nosso trabalho cotidiano não é apenas uma das muitas obras obras de Deus; nosso trabalho cotidiano é um dos prazeres gratificantes de Deus. Após viajar por montanhas com cabras selvagens, por cavernas com texugos-das-rochas, por mares com monstros marinhos e por campos para um dia normal de trabalho, o salmista canta:
Que a glória do Senhor permaneça para sempre;
que o Senhor se alegre em suas obras, pois ele olha para a terra e ela estremece,
e toca nos montes e eles fumegam! (Salmo 104:31-32)
Não, que possamos nos alegrar com suas obras. Não, que ele se alegre em suas obras. Deus não está apenas encenando um espetáculo que alguns amantes da natureza possam apreciar. Não, ele ama altas montanhas e vales sinuosos; ama luas cheias e pores do sol deslumbrantes; ama texugos, cegonhas e burros selvagens — e o trabalho cotidiano que fazemos semana após semana. Ele se alegra com o que fizemos, porque é mais um vislumbre de tudo o que ele já realizou.
O Deus do universo realmente se alegra com o universo que criou — aquele em que vivemos e trabalhamos todos os dias, aquele que Ele projetou como um presente para o Seu Filho (Hebreus 1:2). Ele se alegra ao ver o que pessoas comuns conseguem fazer em um dia — e ainda mais quando esse trabalho nasce de um coração voltado para ele. Mesmo quando todos os outros parecem ignorar completamente o que fizemos, ele vê e sorri, porque vê o reflexo tênue, mas brilhante, do seu próprio trabalho.
Então, enquanto você se prepara para mais um ano de trabalho — talvez árduo, talvez ingrato, talvez “comum” — peça a Deus que o ajude a enxergar o trabalho através dos olhos Dele. Peça a Ele um pouco do prazer que Ele sente no que você faz.
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